A futebolização do conflito está a estender-se para os pavilhões - Foto: Sporting CP
A futebolização do conflito está a estender-se para os pavilhões - Foto: Sporting CP

FC Porto-Sporting: chamem a polícia

A guerra entre os dois clubes está a atingir níveis absurdamente perigosos. Vem aí um clássico no Dragão para a Taça de Portugal e podemos temer o pior. Isto já não é desporto

Facto: um jogador e o treinador da equipa de andebol do Sporting tiveram de receber assistência médica por causa de um cheiro intenso no balneário do Dragão Arena, onde ia realizar-se o jogo frente ao FC Porto. De acordo com os relatos confirmados e cruzados por A BOLA, a equipa leonina teve de equipar-se no corredor, não podendo fazê-lo no balneário.

Facto: durante o jogo, que os verdes e brancos venceram por 33-30, o FC Porto reagiu através de um comunicado, desmentindo os «odores intensos». «Tais insinuações são graves, abusivas e totalmente destituídas de qualquer fundamento […] O FC Porto repudia, de forma firme, qualquer tentativa de associação do seu nome, das suas infraestruturas ou dos seus profissionais a situações que não correspondem à realidade. Trata-se de uma acusação inadmissível, que atinge injustificadamente a reputação de uma instituição», pode ler-se.

Facto: o Sporting não fez qualquer comunicação após o jogo.

É muito grave que uma equipa seja obrigada a passar pelo que o Sporting passou; e é tão ou mais grave que isto possa ter sido uma encenação – porque é isso que, de forma indireta, os azuis e brancos insinuam.

Isto já não se trata de uma questão desportiva, antes um caso de polícia e de justiça, seja para que lado pender a balança da senhora.

É surreal pensar que um balneário possa estar inutilizável e representar uma ameaça à equipa adversária, tal como é do domínio da loucura a possibilidade de ter ocorrido uma pantomina para atingir a imagem de um rival.

Do ponto de vista da comunicação, os dragões foram mais ágeis: deixaram a dúvida no ar, mesmo que isto represente apenas uma fuga para a frente; já os leões não podem ficar em silêncio e estão mais que obrigados a esclarecer tudo, de ponta a ponta, para consubstanciar a acusação oficiosa.

A guerra aberta entre FC Porto e Sporting está a atingir níveis absurdamente perigosos e que extravasam Liga ou Federação. Porque se estende para várias modalidades; é a futebolização do conflito a entrar nos pavilhões. Por isso é caso e tempo de o poder político entrar em ação. Há muito que as linhas vermelhas foram ultrapassadas e no século XXI não são admissíveis discursos e práticas que possam colocar pessoas em perigo. Porque é disso que se trata: as massas tendem a reagir ao terrorismo discursivo. Vem aí um FC Porto-Sporting para a Taça de Portugal e temo o pior. Isto está irrespirável.