Geny Catamo dispôs de oportunidade de ouro para empatar a eliminatória (Foto IMAGO) - Foto: IMAGO

Ponto final numa bela história com algumas reticências (crónica)

Sporting bateu-se de igual para o igual com o líder da Premier League e só não empataram a eliminatória porque tiveram dois momentos de algum azar

O Sporting tinha missão hercúlea no Emirates e tinha de conseguir o que ainda ninguém fez: ganhar ao Arsenal na Champions. È o final duma bela história dos leões nesta edição da prova, que incluiu vitórias sobre o campeão europeu em título o PSG e aquele jogo memorável com o Bodo/Glimt nos oitavos de final. No entanto, ficam algumas reticências no ar, sobretudo pela forma como foi sofrido o golo em Lisboa já no tempo de compensação e por aquela bola de poste de Geny Catamo ao poste (43’) que teria empatado a eliminatória.

E mesmo no último suspiro (90+4) há aquela bola de João Simões que passou a rasar o poste e tinha muito — ou quase tudo — para entrar. Os deuses estiveram pelo lado do Arsenal, que além de muito e muito dinheiro, teve sorte. E quando se juntam estes fatores… há pouco a fazer para o adversário.

Além disso, houve também aquele lance na área dos gunners sobre Maxi Araújo em que ficam dúvidas se existe ou não penálti.

A principal dúvida nos leões residia em saber quem substituiria Fresneda na lateral direita e Rui Borges lançou Eduardo Quaresma para tentar travar a mota Martinelli. Em missão defensiva, Quaresma fechava por dentro e Geny Catamo ficava mais por fora, contando ainda com a ajuda de Hjulmand, que descaía para aquela zona.

O Arsenal tinha mais bola, mas de grandes jogadas de perigo… nem por isso, embora o Sporting, diga-se, revelasse muitas dificuldades na construção, algo que até acaba por ser normal tendo em conta as dificuldades de ritmo entre a Premier e a Liga portuguesa.

Rui Borges desesperava um pouco no banco e não se cansava de dar indicações, até que aos poucos a equipa se começou a recompor. À meia hora de jogo iniciou-se a reação, com Pedro Gonçalves a desperdiçar até que muito perto do intervalo o mesmo Pote não se encheu de ouro e desaproveitou um mau passe de Raya, não entregando a bola a Trincão em muito boa posição. Depois, há o tal lance de Geny que poderia ter empatado tudo…

Sem alterações ao intervalo, o Arsenal, que sem dúvida tem muito mais profundidade de plantel do que os verde e brancos, entrou com mais fulgor e encostou o Sporting mais às cordas aproveitando as motas Martinelli e Madueze, com Eze a libertar-se para ir construindo. No entanto, Gyokeres continuava no bolso de Diomande e estava longuíssimo do que demonstrou em Alvalade e Arteta decidiu retirá-lo do jogo, entrando o carrasco leonino, Kai Havertz. Pouco mudou para o líder da Premier League

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Borges responde pouco depois e aos 78 retira um desinspirado Pote e Geny desgastado e coloca Quenda e Bragança. O leão em nada melhorou e Trossard atirou ao poste aos 83 e tinha terminado a história para o leão. Não acabou e num assomo de fé, mesmo no último lance João Simões fica em boa posição mas a bola sai a rasar o poste. Acabou a história mas com belos capítulos escritos e batendo-se de igual para igual com o líder da Premier. E se não fosse Raya em Lisboa...

Os leões estavam com muita medo das bolas paradas dos gunners mas aí a estratégia foi irrepreensível e nem uma oportunidade de perigo para os ingleses nesse capítulo.
Rui Borges tinha utilizado a metáfora do Mercedes e do Peugeot, em que andam chegam aos 200 km/hora mas o primeiro custa o dobro. E ao Peugeot do leonino faltou um pouco mais de cilindrada para se aguentar mais tempo a alta velocidade…


As meias-finais e mais 15 milhões para os cofres dos leões não chegaram. No entanto, houve prova de crescimento em contexto europeu e em alguns momentos cumpriu-se a profecia do fundador e o Sporting foi um clube tão grande como os maiores da Europa.