V. Guimarães: António Miguel Cardoso demite-se e não se recandidata às eleições
António Miguel Cardoso anunciou esta terça-feira, em conferência de imprensa, a demissão do cargo de presidente do Vitória de Guimarães.
À 4.ª jornada, ainda em agosto, depois de um empate caseiro diante do Arouca (1-1), o dirigente máximo dos conquistadores havia dito que se demitia, caso a equipa não alcançasse o 5.º lugar.
A cinco jornadas do final (15 pontos em disputa), a onze pontos do posto prometido (ocupado por Famalicão) e após o empate diante do Aves SAD (1-1) da última ronda, no castelo já se encara essa meta como impossível (apesar de a matemática dizer o contrário). Como tal, António Miguel Cardoso decidiu antecipar-se e entregar ao presidente da Assembleia Geral a carta de demissão.
«De acordo com o que prometi no início da época, e como já são reduzidas as hipóteses de o Vitória SC terminar o campeonato em 5.º lugar, vou entregar ao presidente da Assembleia Geral a minha carta de demissão», ouviu-se.
Mesmo que a equipa ainda fique em 5.º, a minha decisão está tomada.
Após o empate (1-1) no terreno do avenses, até Gustavo Silva admitiu que o objetivo europeu dos vimaranenses seria impossível de alcançar.
António Miguel Cardoso não será recandidato
Depois de ter anunciado a demissão, num discurso de quase sete minutos, António Miguel Cardoso acrescentou que não se pretende recandidatar às próximas eleições do clube, não havendo ainda data oficial para o sufrágio.
Todas as etapas têm um princípio, um meio e um fim. Sempre disse que a minha passagem seria curta. Não serei candidato nas próximas eleições.
«Até à passagem de testemunho, garanto que continuaremos a defender os interesses do Vitória SC e a geri-lo com responsabilidade, com um foco claro no equilíbrio desportivo e financeiro, tendo como objetivo encerrar o exercício com contas equilibradas. A minha paixão e amor pelo clube vão manter-se, de resto, para sempre», finalizou.
Depois, em resposta aos jornalistas, o líder, de 49 anos, reafirmou que «a decisão de sair é pessoal», compreendendo que «alguns sócios poderão estar desiludidos». No entanto, considera que adiantar-se no veredito «foi um passo importante para o clube, para que as coisas possam ser feitas com a maior celeridade possível».
António Miguel Cardoso foi eleito pela primeira vez em março de 2022 e reeleito no mesmo mês de 2025, com quase 90% dos votos.
Presidente só agradeceu a um jogador em particular
Voltando à sua declaração, note-se que António Miguel Cardoso fez uma menção especial a Miguel Maga, sem se referir a mais nenhum jogador: «Agradeço ao Miguel Maga a lealdade, o empenho e a dedicação ao Vitória SC. Esteve com esta direção desde o início do mandato, sendo para mim o melhor exemplo do que é um atleta profissional de futebol.»
Fora isso, agradeceu «ao futebol profissional, aos treinadores, aos atletas e restante staff os êxitos acumulados pela equipa A e pela equipa B».
«Alcançámos os melhores resultados de sempre»
O líder vitoriano enalteceu ainda o trabalho da direção, naquele que considera ter sido o melhor período da história do emblema de D. Afonso Henriques: «Foi tanto em tão pouco tempo. É um orgulho ter liderado a direção que teve os melhores resultados de sempre. É um registo sem igual. Entre 2022 e 2026, o Vitória SC teve a melhor média de qualificações europeias e a melhor pontuação de sempre na I Liga; somou o maior número de vitórias consecutivas na Europa; conquistou a Taça da Liga quando o clube apenas detinha dois troféus nacionais; sustentou a promoção da equipa sénior feminina à I Divisão; e estabeleceu um novo recorde de atletas chamados às Seleções Nacionais jovens.»
Tudo isto foi conseguido num contexto de grandes dificuldades financeiras.
Tempo agora de «novos caminhos»
Na conferência de imprensa, António Miguel Cardoso referiu que esta situação faz parte da «vida normal» de um clube, considerando que é tempo de dar a vez a outra direção: «É normal que venham outros caminhos (…) Faz sentido proteger os interesses do Vitória SC. Como disse há pouco, os caminhos agora separam-se. Continuarei vitoriano, sou desde que nasci. Passarei agora a ser apenas um associado e a apoiar na bancada. Esperarei por uma nova direção e por tudo o que se segue.»
O presidente cessante garantiu também que não estará envolvido no próximo ato eleitoral: «Não me quero envolver, não me vou envolver, não sinto que o deva fazer. A minha posição será essa.»
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