Altimira em duelo de gigantes com Abubakar (Foto Catarina Morais/Kapta +)
Altimira em duelo de gigantes com Abubakar (Foto Catarina Morais/Kapta +)

Altimira tentou dar rumo à nau e capitão afundou-a (as notas do Sporting)

Espanhol teve muito critério do passe mas o espaço era muito pouco. Rui Silva evitou um golo cantado, Suárez igualou recorde, porém, falhou na compensação e Gonçalo Inácio assinou exibição paupérrima

Rui Silva (7) — Na primeira parte limitou-se a assistir ao jogo ao nível do relvado, sem ser chamado a intervir. Isto até ao momento (41’) em que Sorriso o colocou à prova num golpe de cabeça: o leão não ficou a chorar porque o guardião maiato, com a mão esquerda, assinou uma intervenção soberba a impedir o golo famalicense. No remate certeiro dos minhotos, foi completamente traído pela desatenção de Gonçalo Inácio.

O melhor em campo: Altimira (7)

Numa equipa em noite de insónia —  dividida entre a prostração e a agitação desordenada —, tentou guiar a nau até ao porto seguro da vitória. Revelou imenso critério no passe, mas o metro quadrado cotava-se ao preço das capitais mais caras da Europa. Inteligente, percebeu na segunda parte que tinha de se adiantar no terreno para ajudar o Sporting a empurrar o Famalicão para a sua grande área. Não tem uma velocidade de processamento vertiginosa, contudo, raramente falha um comando no computador leonino, que só queimou o disco rígido já no período de compensação. Quando ganhar ousadia para surgir junto à grande área e testar o remate, quem ganha são os leões. Em Famalicão, só uma tentativa de meia-distância para derrubar o muro minhoto mas muito por cima. De resto, tudo bem.

Fresneda (5) — Muito pouco audaz durante os primeiros 45 minutos, sem uma única investida pelo corredor para dar a profundidade de que a equipa tanto carecia. No golo da casa, perdeu o duelo aéreo com Abubakar e ficou a pedir infração.

Debast (6) — Está encontrado, para já, o patrão da defesa leonina. No entanto, o Famalicão encurtou o bloco e o belga não teve espaço para desferir aqueles discos voadores lançados ao milímetro para colocar os homens da frente em posição privilegiada de alvejar as redes opostas.

Gonçalo Inácio (3) — Começa a roçar o incompreensível a sua continuidade no onze titular. Pouco intenso nos duelos, na única vez em que acertou um passe o lance acabou anulado. Muito pouco. O autogolo resulta de uma mistura de desconcentração com um nervosismo angustiante para os adeptos. Desta vez, foi o capitão a afundar a embarcação leonina, que deixou escapar dois dos três pontos que tinha no convés.

Maxi Araújo (6) — Sempre intenso e ligado à corrente, não teve a preponderância de outros encontros, mas a entrega e a determinação do uruguaio sobressaíram. Sofreu um penálti evidente que passou ao lado de toda a equipa de arbitragem…

Issa Doumbia (5) — Rui Borges descreveu-o como um jogador com muito futebol de rua, todavia, desta vez o piso pareceu cheio de pedras soltas que fizeram a bola saltar-lhe dos pés, sobretudo na receção orientada. Exigia-se maior discernimento para ultrapassar a trincheira em que o Famalicão se fechou.

Geny Catamo (4) — Mais um elemento muito abaixo do expectável. Deu a sensação de ser um carro desportivo de alta cilindrada a tentar acelerar com o travão de mão puxado. Só sobressaiu aos 74 minutos, quando obrigou Carevic a uma defesa apertada.

Flávio Gonçalves (6) — Assinou uma obra de arte que acabou embargada pelo VAR, mas na qual patenteou toda a sua rotulada qualidade técnica. Desdobrou-se em movimentos para encontrar uma brecha na caixa de fósforos em que o Famalicão transformou a sua zona defensiva. Saiu esgotado.

Luís Guilherme (5) — Começou a partida cheio de boas intenções, mas revelou-se fogo fátuo. Demasiado anárquico, invadiu terrenos alheios e desperdiçou um lance soberbo (52’) por rendilhar em demasia numa situação que pedia uma única virtude: eficácia.

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Luis Suárez (6) — Igualou a sua melhor série no Sporting com seis jogos consecutivos a faturar, mas saiu com um amargo de boca pelo empate prático do resultado. Pressionou e baixou várias vezes para apoiar a construção, mas na compensação desperdiçou duas ocasiões soberbas para carimbar o triunfo leonino.

Ioannidis (6) — Entrou com rotação elevada, combativo, e conquistou a grande penalidade. A sua estampa física deu enorme trabalho a um eixo defensivo já desgastado.

Zalazar (4) — Relegado para o banco, entrou pela mão de Rui Borges para alterar a dinâmica do encontro, mas nada acrescentou. A meio da semana assinou um golo de antologia; em Famalicão fez lembrar um holograma.

Irankunda (5) — A sua pujança revelou-se preciosa no duelo que deu origem ao penálti sofrido por Ioannidis. Precisa, contudo, de dosear a agressividade: o ímpeto é assinalável, mas por vezes roça o excesso.

Silas Andersen (5) — Ajudou a empurrar o bloco para a frente, mas, quando se impunha fechar os caminhos para a baliza, não teve a capacidade necessária para trancar a porta.

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