O melhor reforço do Benfica
Depois de muitas dúvidas sobre a construção do plantel, o Benfica fez uma reta final de mercado interessante e montou um plantel que parece pronto. Mais importante: os encarnados têm uma equipa que funciona como tal, ganha de forma convincente e entusiasmante, alinhada com o futebol ofensivo que os adeptos apreciam.
Os encarnados têm uma equipa que funciona como tal.
Não há dúvida de que houve contratações-chave — como a do médio João Palhinha — e de que alguns jogadores estão a render muito mais do que no passado, o que nos leva à contratação mais importante da SAD para 2026/27: o treinador.
Não é por acaso que a equipa rende, parece ter fome de resultados e que os mesmos jogadores da época passada pareçam melhores. Olhando para os últimos desafios, Marco Silva tem lançado sistematicamente um onze inicial onde só entram dois reforços — o médio Palhinha e o defesa-central Clément Lenglet. Os outros transitaram e têm apresentado um rendimento que, inclusivamente, tem atrasado de certa forma a entrada em cena de alguns novos jogadores e de outros que regressaram mais tarde após a participação no Mundial. E isto diz algo muito importante.
Não é por acaso que a equipa rende, parece ter fome de resultados e que os mesmos jogadores da época passada pareçam melhores.
Os projetos e as equipas de futebol — tal como o plano de contratações — só fazem sentido, ou pelo menos teoricamente apenas funcionam, quando existe uma ideia muito clara do que se pretende. Marco Silva transmite isso: no modo de atuação e comunicação desde que chegou ao clube, nos jogadores que avalizou como reforços, na definição de um desenho tático preferido que vai consolidando, numa ideia de jogo e numa mentalidade ofensiva que permite um futebol atraente e, ao mesmo tempo, potencia os jogadores do plantel.
É claro que há exceções, que nem todos respondem bem ou no mesmo timing, mas percebe-se o sentido deste Benfica de Marco Silva. Algo que, por exemplo, tínhamos alguma dificuldade em interpretar quando José Mourinho comandou a equipa ou, recuando ao estilo mais atacante de Roger Schmidt — que teve grande impacto na primeira temporada (o Benfica conquistou o título) e também entusiasmava —, mas que pareceu sempre pouco maleável, estático e sem capacidade de evoluir, do ponto de vista do treinador, a diferentes contextos de exigência.
É claro que há exceções, que nem todos respondem bem ou no mesmo timing.
Não quer isto dizer que o Benfica seja um mar de rosas ou que Marco Silva seja o melhor de todos; quer dizer, apenas, que o treinador do Benfica agregou, apontou o caminho e vai dando passos seguros, com as chuteiras na relva e os olhos no futuro. Quando se parte de um início sólido e transparente, tudo parece ficar mais fácil. Depois, depois será futebol e singularidades do futebol português. Mas importante é que não existam dúvidas e Marco Silva ou não tem, ou parece ter poucas.