Alexis Guerin: «Quis muito vencer pelo jovem que morreu»
Alexis Guerin, da Anicolor-Campicarn, venceu este sábado a nona etapa da Volta a Portugal, com chegada à mítica Senhora da Graça, e reforçou a liderança da classificação geral. Triunfo que o ciclista francês dedicou a Finlay Tarling, jovem britânico da NSN Development que morreu na sequência de um acidente durante a etapa de sexta-feira.
Guerin apresentou-se no início da jornada com uma camisola negra, em vez da tradicional amarela, em sinal de luto pela morte de Tarling. Apesar de admitir que não se sentiu bem no início da subida final, o líder da Volta encontrou forças para atacar e conquistar a vitória.
«Não me senti bem no início da última subida, mas como tinha a camisola negra e disse para mim mesmo que hoje não podia resignar-me a estar mal, porque tenho a sorte de... de estar aqui na corrida», explicou o francês.
Guerin revelou ainda que, inicialmente, pretendia trabalhar para o companheiro de equipa Artem Nych, mas acabou por assumir a responsabilidade pela vitória depois de o ucraniano lhe transmitir que não tinha pernas para disputar a etapa.
«Eu queria que o Artem [Nych] ganhasse, mas quando ele me disse 'vais ganhar tu', quis vencer... pelo rapaz que morreu [Finlay Tarling], para lhe fazer homenagem», afirmou.
«Volta não acabou»
Com o triunfo na Senhora da Graça e o tempo ganho aos principais adversários, Guerin reforçou a posição de líder da Volta a Portugal, mas recusou considerar a corrida decidida.
«Volta não acabou. Vai terminar amanhã [domingo], no Porto. Hoje ganhei tempo na geral», sublinhou.
Para o francês, contudo, a classificação assumiu um papel secundário num dia marcado pela morte de Tarling.
«Não é o mais importante do dia de hoje lembrar o jovem que perdeu a vida ontem», declarou Guerin, que rejeitou atribuir responsabilidades à organização da prova, à polícia ou às pessoas que trabalham na corrida.
«Não é culpa da organização, não é culpa da polícia, não é culpa do pessoal que trabalha na corrida. Esta é uma corrida que tem muita, muita segurança. É culpa de uma pessoa que não respeitou… [que estava a decorrer uma corrida de ciclismo]. Acho que perder cinco minutos no dia não vale tirar a vida de uma pessoa.»
Foi nesse contexto que decidiu trocar a camisola amarela pela negra: «Quis homenagear o rapaz, envergando uma camisola negra em vez da amarela. E quis muito vencer esta etapa por ele.»
Resposta a José Neves
A vitória de Guerin ficou também marcada por um episódio nos metros finais. Depois de o francês atacar para a meta, José Neves (GI Group) fez um gesto de desagrado, situação que o vencedor comentou após a chegada.
«É possível que tenha ficado desagradado, mas eu sou ciclista da Anicolor. Hoje trabalhei para o Artem [Nych] para tentar que ganhasse a etapa. Mas ele disse-me no último quilómetro que não tinha pernas», explicou.
Guerin acrescentou que recebeu então uma indicação clara da equipa através do rádio: «O meu diretor desportivo diz-me: 'esta é a etapa da Sra. da Graça, e vais ganhá-la tu então'.»
E concluiu, assumindo a decisão de disputar a vitória: «O meu patrão é a Anicolor-Campicarn e o Rúben Pereira. Por isso, quando o meu patrão me diz para ganhar, eu tento ganhar.»