Afonso Eulálio (camisola branca, da Juventude) com Jonas Vingegaard (rosa, da geral), Paul Magnier (Ciclamino, por Pontos) e Giulio Ciconne (azul, da Montanha)

Agora é oficial: Afonso Eulálio entre os 'grandes' do Giro 2026

Corredor português garantiu a conquista da camisola branca, símbolo de liderança da classificação da juventude, e o sexto lugar da geral, após a 21.ª e última etapa, em Roma - que o italiano Jonathan Milan venceu ao sprint

A última etapa da Volta a Itália, concluída este domingo em Roma, serviu sobretudo para confirmar as classificações finais de uma edição marcada pelo domínio de Jonas Vingegaard e pela afirmação de Afonso Eulálio. Enquanto Jonathan Milan venceu ao sprint a jornada de consagração, alcançando finalmente o triunfo que lhe escapara ao longo da corrida, o jovem português da Bahrain Victorious fechou o Giro com a camisola branca da juventude e um notável sexto lugar da classificação geral.

Num Giro dominado por Vingegaard, a principal notícia para o ciclismo português foi a consolidação de Afonso Eulálio entre os nomes de referência da nova geração. A camisola branca conquistada em Roma é um resultado de prestígio por si só, mas ganha maior dimensão quando associada aos nove dias de liderança da corrida e ao lugar alcançado entre os seis melhores da classificação geral.

Aos 24 anos, o corredor figueirense tornou-se apenas o segundo português a conquistar a classificação dos jovens na corsa rosa, repetindo o feito alcançado por João Almeida em 2023. É também o terceiro ciclista nacional a vencer uma das classificações do Giro, depois de Ruben Guerreiro ter conquistado a camisola azul da montanha em 2020 e ganhou uma etapa. Almeida, que falhou esta edição devido a enfermidade, alcançou a maglia bianca na temporada em que terminou no terceiro lugar da geral (2023) e tanto como Guerreiro venceu ainda uma etapa.

A classificação da juventude foi o prémio mais visível de uma corrida em que Eulálio esteve muito mais tempo em destaque. Após a quinta etapa, com final em Potenza, assumiu a liderança da geral e vestiu a camisola rosa. Nesse dia esteve perto de conquistar também uma vitória de etapa, mas acabou superado pelo espanhol Igor Arrieta, da UAE Emirates, após um duelo em fuga disputado sob chuva intensa. A estrada escorregadia provocou quedas aos dois corredores, num dos episódios mais marcantes da primeira metade da prova.

Eulálio conservou a liderança durante nove etapas, até à chegada a Pila, na 14.ª jornada. Foi então que Jonas Vingegaard assumiu o comando da classificação geral num dia decisivo de alta montanha. O português perdeu a camisola rosa, mas manteve-se no topo da classificação da juventude e levou a maglia bianca até ao final da corrida.

O sexto lugar final permite-lhe entrar num grupo muito restrito da história do ciclismo português. Apenas João Almeida, quarto classificado em 2020, sexto em 2021 e terceiro em 2023, e José Azevedo, quinto em 2001, conseguiram terminar o Giro em posições superiores.

A edição de 2026 ficará igualmente marcada pelo triunfo de Jonas Vingegaard. O dinamarquês da Visma venceu cinco etapas e terminou com 5.22 minutos de vantagem sobre o austríaco Felix Gall, da Decathlon. Com esta vitória, juntou o Giro ao Tour de France, conquistado em 2022 e 2023, e à Vuelta, vencida em 2025. Passou assim a integrar o grupo de apenas oito corredores que conseguiram vencer as três grandes Voltas, ao lado de Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Eddy Merckx, Bernard Hinault, Alberto Contador, Vincenzo Nibali e Chris Froome.

O desempenho de Eulálio surge na continuidade de uma tradição que, embora não abundante, tem produzido momentos relevantes para o ciclismo português nas grandes corridas por etapas. Antes da atual geração, Acácio da Silva venceu etapas no Giro e no Tour, liderou ambas as provas e conquistou a classificação dos sprints especiais da Vuelta de 1991. Mais atrás no tempo, Fernando Mendes venceu a classificação das metas volantes da Vuelta de 1975, edição que concluiu no sexto lugar da geral.

A participação portuguesa em 2026 ficou ainda marcada por um registo de longevidade. Nelson Oliveira, da Movistar, completou a sua 23.ª grande Volta sem qualquer desistência, igualando o recorde do polaco Sylwester Szmyd. O veterano terminou na 66.ª posição, a 3h38m31s de Vingegaard.

António Morgado, estreante em grandes Voltas e representante da UAE Emirates, concluiu a prova no 125.º lugar, a 5h25m56s da camisola rosa.

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