Afonso Eulálio foi a maior revelação deste Giro de Itália e cativou os fãs do ciclismo

Afonso Eulálio: «Sofri tanto estas três semanas, mas é muito bom»

Corredor português teve mais um desempenho de elevado nível na última etapa de montanha do Giro de Itália e consolidou a liderança da classificação da juventude (camisola branca) e o sexto lugar na geral

Afonso Eulálio consolidou a liderança na classificação da juventude e a sexta posição na geral da Volta a Itália, na 20.ª e penúltima etapa, que ligou Gemona del Friuli a Piancavallo ao longo de 200 quilómetros e que terminou com dupla ascensão a uma contagem de montanha de 1.ª categoria. 

O português da equipa Bahrain Victorious geriu com eficiência o esforço na exigente subida final (14,5 km a 7,8%), defendeu-se do ataque de Davide Piganzoli (Visma-Lease a Bike), que partiu para esta etapa como o mais direto concorrente do figueirense de 24 anos na classificação da juventude, a 1.03 minutos deste, e a dois quilómetros da chegada contra-atacou o italiano, distanciando-o por 13 segundos na meta. 

Na etapa conquistada por Jonas Vingegaard, Afonso Eulálio terminou na sétima posição, a 2.03 minutos do dinamarquês da Visma, e aumentou a vantagem sobre Piganzoli para 1.13 minutos. «Foi uma loucura, sofri tanto nestas três semanas, mas chegámos ao final com alguma coisa, é muito bom», desabafou o detentor da camisola branca, símbolo de líder da classificação de Melhor Jovem, antecipando os festejos com a equipa no domingo, em Roma, após a conclusão da 21.ª e última etapa.

A camisola branca do Giro de Itália já não deve escapar a Afonso Eulálio

«Toda a equipa acreditou em mim e isso deu-me mais força e apenas lutei até ao final», afirmou Eulálio, para quem a etapa anterior, nos coração dos Dolomitas, tinha sido «muito dura», cedendo um minuto para Piganzoli.

O corredor luso, de 24 anos, contou como resistiu à exigente subida final: «Tentei seguir os homens da Ineos, [Thymen] Arensman e [Egan] Bernal, mas rapidamente percebi que o ritmo era de mais. Após abrandar para recuperar, enfrentou um ataque do adversário direto, que entretanto recuperou após se ter atrasado ainda antes do ataque decisivo do seu companheiro da equipa Vingegaard para a vitória na etapa. «O Piganzoli chegou com um ritmo muito forte. Apenas tentei sobreviver. Respirei na zona plana e depois tinha pernas para um último esforço», explicou, referindo-se ao seu contra-ataque decisivo a dois quilómetros da meta, que deixou o italiano para trás.

Além de praticamente garantir a vitória na classificação da juventude, Afonso Eulálio assegurou também o sexto lugar na geral, a 9.39 minutos de Vingegaard, antes da etapa final de consagração em Roma. 

Esta participação representa um marco pessoal para o ciclista da Figueira da Foz, que na edição de 2025 da corsa rosa foi forçado a desistir na 19.ª etapa. «No ano passado, fui para casa dois dias antes [da chegada a Roma]. Já é um recorde para mim terminar o Giro», brincou.

Com este resultado, Afonso Eulálio está prestes a juntar-se a um grupo restrito de ciclistas portugueses, tornando-se o quarto a terminar a Volta a Itália no top-10, seguindo os passos de João Almeida, José Azevedo e Acácio da Silva.

Jonas Vingegaard reforçou o domínio esmagador no Giro como o quinto triunfo em etapas. O dinamarquês atacou ainda a 10 quilómetros da meta e não foi mais alcançado, aumentando a vantagem na liderança da classificação geral.

Jonas Vingegaard tem a camisola rosa quase garantida, só precisando de cortar a meta na última etapa, de consagração, no domingo, em Roma, e conquista assim as três grandes Voltas, França, Itália e Espanha, passando integrar uma elite de oito corredores que alcançaram o feito na história do ciclismo, Jacques Anquetil (França), Felice Gimondi (Itália), Eddy Merckx (Bélgica), Bernard Hinault (França), Alberto Contador (Espanha), Vincenzo Nibali (Itália) e Chris Froome (Grã-Bretanha).

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