Luto e indignação com o enforcamento do lutador iraniano Saleh Mohammadi
A execução do lutador iraniano Saleh Mohammadi, de 19 anos, na passada quinta-feira, deixou o mundo do desporto em estado de choque. Segundo ativistas e dissidentes irano-americanos, o jovem atleta foi morto por enforcamento público.
Iran ejecutó al luchador de 19 años Saleh Mohammadi en la ciudad de Qom, junto a otros dos jóvenes, por cargos vinculados a protestas, en un caso que ha generado críticas internacionales por presuntas irregularidades en el proceso judicial. pic.twitter.com/TcC8zD2o2I
— El Pergamino (@ElPergaminosv) March 20, 2026
De acordo com a agência de notícias Mizan, ligada ao sistema judicial iraniano, e citado pela Iran International, o regime do Irão executou Mohammadi juntamente com outros dois homens, Mehdi Ghasemiand e Saeed Davoudi. Os três foram acusados de matar dois polícias durante os protestos nacionais que ocorreram no início deste ano.
American sports personalities have come out with public messages of support for Saleh Mohammadi’s family. pic.twitter.com/Q951ZfLqyA
— Visegrád 24 (@visegrad24) March 21, 2026
A notícia gerou uma onda de indignação, com vários atletas olímpicos a partilharem as suas reações à Fox News Digital. Brandon Slay, lutador norte-americano, expressou a sua consternação: «Tendo viajado para o Irão para competir em luta livre por duas vezes e recebido atletas iranianos no nosso país, vi em primeira mão a dignidade e o coração do povo iraniano. É por isso que é tão desolador testemunhar um regime de terror executar um lutador adolescente».
Também o nadador Tyler Clary, medalha de ouro olímpico, condenou o ato, descrevendo-o como «um lembrete brutal do que aquele regime representa». Clary acrescentou: «Como medalhado de ouro olímpico, passei a minha vida rodeado de atletas que representam o melhor da disciplina e liberdade humanas. O que estamos a ver no Irão — a execução de um lutador após o que parece ser um processo de fachada — é um lembrete brutal do que aquele regime representa».
Campione di lotta giustiziato in Iran: chi è Saleh Mohammadi, aveva solo 19 anni https://t.co/chofBe0QYe
— Corriere della Sera (@Corriere) March 20, 2026
Humphries, outra atleta olímpica, classificou as ações do regime iraniano como «mais do que abomináveis». «Assassinar qualquer adolescente pelo ‘crime’ de se manifestar é inaceitável. Assassinar um adolescente que foi especificamente visado por ser um atleta campeão e um ícone do seu país é ainda pior», afirmou, sublinhando as diferenças de liberdade de expressão entre os EUA e o Irão.
Eli Bremer, também atleta olímpico, mostrou-se «mais do que enojado» com a execução, considerando que o ato «mostra quão profundamente depravada é a liderança iraniana». Por sua vez, Katie Uhlaender lamentou a perda, afirmando: «O meu coração está destroçado por este atleta e pela sua família. O que torna isto mais devastador é que houve apelos claros e urgentes para que se agisse».
Uhlaender defendeu ainda que o desporto deve ser um catalisador para a mudança. «O desporto pode servir como um símbolo de integridade e unidade. A ação, e não o silêncio, deve definir a nossa resposta daqui para a frente», concluiu.
O antigo lutador iraniano Sardar Pashaei também se manifestou, condenando as alegadas tentativas institucionais de silenciar atletas femininas que se opõem à proteção dos desportos femininos contra atletas transgénero nos Estados Unidos.
A execução de um atleta no Irão desencadeou fortes críticas ao regime, com vozes a denunciarem a brutalidade e o controlo exercido sobre o desporto no país. As declarações, feitas à Fox News Digital, sublinham a natureza opressiva do governo iraniano.
Edelman, em declarações à Fox News Digital, afirmou que o atleta foi sacrificado por uma causa justa. «Ele foi enforcado por visionar um Irão livre das predações de um regime agora liderado por um 'nepo baby' impotente, cujo pai o considerava tão incompetente que não conseguiria gerir uma banca de limonada. O seu sacrifício é a prova de que tal causa era justa», declarou.
Por sua vez, Pashaei descreveu a execução como um exemplo da brutalidade do regime, que há décadas resiste a tentativas de moderação por parte de políticos externos. «Isto é apenas um vislumbre da brutalidade do regime. Um regime que mata o seu próprio povo e agora executa publicamente um atleta adolescente», afirmou Pashaei à Fox News Digital.
«Durante quase 50 anos, alguns políticos tentaram moderar este regime. Eles ainda não o compreendem. Nós compreendemos. Vivemos sob ele. Carregamos as suas cicatrizes», acrescentou.
Pashaei destacou ainda que o desporto iraniano já não pertence aos atletas, mas sim à Guarda Revolucionária. «O desporto iraniano já não está nas mãos dos atletas. É controlado pela Guarda Revolucionária, as mesmas forças que reprimem as mulheres, intimidam os atletas no estrangeiro e ameaçam as suas famílias», explicou.
O apelo à ação internacional é urgente, uma vez que outros atletas continuam em perigo. «Outros ainda estão em risco, e ainda há tempo para os salvar. O mundo tem de agir agora», alertou Pashaei, concluindo que o único «crime» do jovem executado foi protestar. «O único 'crime' de Saleh foi o protesto. Ele foi para as ruas pela liberdade, por um futuro onde o protesto não seja um crime, onde não existam execuções e onde as pessoas não sejam reféns do seu próprio governo».