Muitas quedas no fim de semana de abertura das clássicas

Abertura das clássicas marcado por quedas e lesões graves: a explicação

Tim Wellens (UAE Emirates) e Stefan Kung (Tudor) estão entre os corredores que sofreram lesões mais graves entre os muitos acidentados na Omloop Het Nieuwsblad e na Kuurne-Bruxelas-Kuurne

O arranque da campanha das clássicas da primavera ficou manchado por um número alarmante de quedas, com as provas Omloop Het Nieuwsblad e Kuurne-Bruxelas-Kuurne a revelarem-se particularmente perigosas. Vários ciclistas, incluindo líderes de equipa e figuras-chave, foram forçados a abandonar com lesões, engrossando uma lista de baixas que compromete a temporada de muitas formações.

Uma das equipas mais afetadas foi a Tudor, que viveu um cenário desastroso na Omloop. Stefan Kung, um dos seus principais nomes para as clássicas, sofreu fratura de fémur e será forçado a falhar toda a campanha. Na mesma prova, o seu colega de equipa Rick Pluimers partiu vários dentes numa queda ocorrida precisamente na subida onde se deu o ataque decisivo da corrida.

A UAE Emirates também sofreu uma baixa significativa. Tim Wellens fraturou a clavícula durante a Kuurne-Bruxelas-Kuurne e junta-se a Jhonatan Narváez na lista de indisponíveis. A ausência de ambos representa um duro golpe para o apoio a Tadej Pogacar na Milão-Sanremo, já que foram eles que prepararam o seu ataque em Cipressa no ano passado.

Outras equipas não escaparam ilesas. O veterano Ben Swift, da INEOS Grenadiers, sofreu uma lesão pélvica complexa que o deverá manter afastado da competição por vários meses. Por sua vez, Vlad van Mechelen, da Bahrain Victorious, também fraturou a clavícula na Omloop Het Nieuwsblad, terminando precocemente uma campanha de primavera onde teria liberdade para procurar os seus próprios resultados.

O elevado número de incidentes, especialmente na Omloop, onde ocorreram cerca de uma dúzia de quedas na fase final, acentuou a preocupação com a segurança no pelotão. As quedas dividiram constantemente o grupo e influenciaram diretamente o desfecho da corrida, afetando tanto o ataque de Florian Vermeersch como a perseguição ao grupo de Mathieu van der Poel.

As reações a esta tendência não se fizeram esperar. José de Cauwer, comentador do Sporza, manifestou a sua profunda inquietação. «Há simplesmente demasiadas quedas. Na Omloop ainda se pode dizer que era por causa da chuva, mas o nervosismo está mesmo dentro do pelotão. De alguma forma, é preciso trazer alguma calma para lá. Sinceramente, não sei como se deve fazer isso, mas isto está a ir na direção errada», afirmou.

Já o veterano italiano Matteo Trentin, terceiro classificado na Kuurne-Bruxelas-Kuurne, partilhou numa entrevista recente a sua preocupação, apontando múltiplas causas para o aumento das quedas. Segundo ele, a responsabilidade é partilhada. «Quem tem de mudar? Os organizadores? Sim, mas também os ciclistas com os seus diretores desportivos, porque por vezes correm-se riscos quando não há absolutamente nenhuma necessidade», declarou Trentin em fevereiro.