A muralha que Mourinho quer manter no Benfica
O Benfica vive o seu melhor momento da temporada sob o comando de José Mourinho. A equipa soma oito jogos consecutivos sem perder, com dois empates (Casa Pia e Sporting) e três vitórias seguidas. E há um dado que tem deixado José Mourinho particularmente satisfeito: nos últimos três jogos, os encarnados não sofreram qualquer golo. A equipa venceu o Nápoles por 2-0, na Liga dos Campeões, o Moreirense por 4-0, no campeonato, e o Farense por 2-0, nos oitavos de final da Taça de Portugal.
Desde o triunfo frente ao Atlético, a 21 de novembro, para a Taça de Portugal, o Benfica venceu seis dos últimos sete jogos, somando um empate (1-1 com o Sporting), 15 golos marcados e apenas dois sofridos — frente ao Sporting e ao Nacional, na Madeira. Após esse jogo com o Atlético, mesmo criticando a atitude dos jogadores, Mourinho destacou esse desafio como um momento de «viragem» para a equipa.
O registo defensivo sólido e a baliza inviolável tornaram-se prioridades no Benfica. São diretrizes que José Mourinho trabalha intensamente nos treinos e espera voltar a ver refletidas no encontro frente ao Famalicão, agendado para segunda-feira, no Estádio da Luz, a contar para a 15.ª jornada do campeonato.
Para alcançar esse equilíbrio, o treinador dos encarnados tem reforçado conceitos táticos que aumentam a coesão coletiva, sobretudo no plano defensivo. José Mourinho insiste que os jogadores mantenham estabilidade na primeira fase de pressão, tarefa em que se destacam Leandro Barreiro, Aursnes, Sudakov, Richard Ríos e o avançado Pavlidis. O ajuste dos timings de pressão tem permitido ao Benfica controlar melhor os ritmos de jogo e desta forma também consolidar um registo defensivo cada vez mais consistente.
Este plano de estabilidade defensiva é também a forma de Mourinho compensar a falta de soluções ofensivas, agravada pela lesão de Lukebakio, extremo belga que só regressará entre fevereiro e março do próximo ano. A ausência de extremos com explosão tem obrigado o treinador a apostar mais no equilíbrio tático e na posse de bola.
No ataque, Vangelis Pavlidis é sem dúvida a grande referência ofensiva das águias: soma 19 dos 51 golos do Benfica, correspondendo a 37% do total da equipa. A seguir a ele, surgem o avançado internacional croata Franjo Ivanovic (5 golos) e o médio-ofensivo ucraniano Giorgi Sudakov (4 golos). Essa dependência ofensiva reforça a importância de um sistema coletivo que maximize as transições e a capacidade de recuperação.
Portanto, para fazer crescer coletivamente a equipa, Mourinho focou-se nas características dos médios que têm à disposição e na capacidade de pressão. Estabilidade defensiva e capacidade para recuperar e manter bola, têm permitido erguer uma muralha que ajuda o guarda-redes Anatoliy Trubin a manter a baliza das águias a zero. Frente ao Famalicão, Mourinho deseja ver atitude igual à dos últimos desafios e que estas ideias continuem a ser bem interpretadas pela equipa.