Descontos de tempo que ganham jogos
Tenho o devido e muito respeito pelos jogos e jogadores da nossa seleção de andebol, mas eu vou passar a viver para aquela parte em que, não se estando em campo literalmente a jogar, se joga noutro plano em que também se ganham jogos: os descontos de tempo do selecionador Paulo Jorge Pereira.
No Europeu que terminou este domingo, e em que Portugal acabou num inédito 5.º lugar, após triunfo sobre a Suécia por 36-35, temos de voltar à vitória sobre a Dinamarca –e na Dinamarca!, não fez lembrar uma vitória sobre a França em França, no Euro 2016, guardadas as devidas distâncias?
Esse triunfo, por 31-29, teve todas emoções, contidas num pequeno momento, apenas um minuto, num desconto de tempo pedido a pouco mais de 40 segundos do fim.
Com Portugal a vencer por 30-28 a menos de um minuto do fim, Francisco Costa tentava combinar algo intensamente com Rui Silva, mas o treinador queria falar, precisava de falar. Luís Frade percebeu, estendeu o braço, mas naquele momento, com dois golos de vantagem e a segundos de um momento histórico, já ninguém ouvia. Mas ele não se ficou no exercício da sua autoridade e necessidade de manter na mão uma vantagem sobre a seleção que já ganhou tudo.
«Não é preciso fazer nada de especial», asseverou, depois de soltar, exasperado, alto e bom som, uma série de palavrões que aqui ficarão como asteriscos, mas que toda a gente saberá o que são. Ouve, *******! [pausa] ****-**!», soltou elevando a voz. Dá para procurar nas redes sociais, para quem não viu...
Deu mais conselhos, mas o essencial, para mim, ficou ali. Daí para a frente lamentei sempre a opção do realizador em ir posicionar-se nos descontos dos selecionadores dos nossos adversários, noutros jogos. Para quê? Ainda por cima 'em estrangeiro'.
«É preciso ter esse mindset, tem que ser esta forma de estar. Andamos com este discurso, sobretudo internamente, já há algum tempo. Podia ser mais ou menos difícil este jogo com a Dinamarca, mas a nossa cabeça sempre esteve a possibilidade da vitória», disse Paulo Jorge Pereira no final do jogo com a Dinamarca. Esta seleção supera-se a cada competição, por isso o que estão a fazer recomenda-se. E oiçam o selecionador, pela nossa e a vossa saúde.