A luta continua! Estrelas vão boicotar Wimbledon, mas Djokovic não
Apesar de o prize money deste ano ter aumentado um recorde de 20 por cento, os principais tenistas masculinos e femininos do mundo planeiam alargar o seu protesto relacionado com a distribuição de prémios monetários em Wimbledon, que celebrará a 139.ª edição entre 20 de junho e 12 de julho.
Depois de já em Roland Garros terem reduzido as conferências de imprensa obrigatórias pré-torneio para apenas 15 minutos, em Wimbledon os tenista vão dar mais um passo em frente na sua luta. Não só vão limitar o próximo fim de semana mediático, como planeiam reduzir todas as declarações pós-jogo para um máximo de 15 minutos durante a primeira semana o Open britânico.
O limite de 15 minutos tem um significado simbólico – representa 15 por cento das receitas que os torneios do Grand Slam, grosso modo, atualmente destinam ao prize money dos jogadores. Alega-se que esta decisão é apoiada pela maioria dos 20 melhores tenistas masculinos e femininos do mundo.
Em Paris, a bielorrussa número um mundial, Aryna Sabalenka, interrompeu a sua conferência antes do início do torneio, enquanto jogadores como Jannik Sinner e Iga Swiątek também seguiram estas diretrizes de «trabalho segundo as regras». Por outro lado, Novak Djokovic, que regularmente se manifesta e luta pelos direitos dos jogadores, não participou nesta ação específica e deverá fazer o mesmo nesta
No início deste mês, os jogadores saudaram o aumento de 20 por cento no orçamento de Wimbledon como um «passo em frente honesto e significativo». O prize money total no campeonato deste ano ascenderá a um recorde de 64,2 milhões de libras (74,42 milhões de euros), o maior crescimento anual na história do centenário torneio. Os campeões de singulares levarão para casa 3,6 milhões (4,173 milhões) cada, enquanto os derrotados na primeira ronda receberão 80.000 (92,74 mil).
Tal significa que Nuno Borges (53.º), o único português que tem garantida a entrada directa em singulares - Jaime Faria (97.º) está a uma vitória no qualifying após, esta quarta-feira, ter afastado o francês Luka Pavlovic (218.º) - já sabe quanto, no mínimo, irá receber em Wimbledon. Isto sem contar com os pares, onde estará ao lado do colombiano Nicolás Barrientos, assim como Francisco Cabral fará parceria com o austríaco Lucas Miedler. Dupla que se voltou a juntar temporariamente depois de se terem separado no início da temporada, após cerca de um ano de algum sucesso.
Os jogadores emitiram um comunicado descrevendo este aumento como uma «declaração de intenções significativa», mas ao mesmo tempo sublinharam que ainda não atinge os 16 por cento das receitas totais do torneio que ambicionam. Além da exigência de que os Grand Slams vinculem o prize money a percentagens dos lucros, os jogadores também pedem maiores contribuições para o seu fundo de benefícios, bem como uma maior influência na forma como os próprios torneios são organizados. O prize money atual é cerca de 7 milhões de libras (8,114 milhões) inferior ao que os jogadores esperavam.
«Não olhamos para as percentagens, na verdade não acreditamos que seja a medida correta», afirmou Deborah Jevans, presidente do All England Lawn Tennis Club, no início deste mês à BBC Sport. «É uma métrica baseada exclusivamente nas receitas que não leva em conta os custos, e não podemos gerir um negócio assim. Temos custos – falámos sobre infraestruturas e investimentos no ténis em relva. Não se pode gerir um negócio sustentável, e nós existimos há quase 150 anos, olhando apenas para as receitas. Isso é simplesmente errado.»
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