Rui Borges voltou a ver a equipa conquistar três pontos já além dos 90 minutos - Foto: Sérgio Miguel Santos
Rui Borges voltou a ver a equipa conquistar três pontos já além dos 90 minutos - Foto: Sérgio Miguel Santos

A garantia sobre Hjulmand, aposta certa em Suárez e os golos além dos 90: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting não se quis alongar sobre 'caso' do capitão, garantindo que o dinamarquês joga na quinta-feira, a titular, diante do Aves SAD, para a Taça de Portugal

- Como analisa esta vitória, novamente conseguida depois do tempo regulamentar? O mais importante é manter esta crença até final da temporada?

- Jogo difícil contra uma equipa bem organizada, usou uma boa estratégia, que já tinha usado na Madeira, onde tivemos dificuldades em que não aproveitámos os espaços que nos deram, hoje também não. Na segunda parte melhor um pouco, precisávamos de gente a romper, a picar a profundidade para arranjar espaço para variar bolas para o lado contrário, corredores, um para um, conseguiram condicionar-nos de alguma forma, faltou-nos alguma inspiração. Um jogo em que na primeira parte o Nacional tem um lance, em que o Edu [Eduardo Quaresma] escorrega, podiam fazer o 1-0, o Geny [Catamo] corta na linha de golo e não têm mais nada. Na segunda parte têm um golo e um remare. Nós fomos criando, não tivemos o caudal ofensivo que costumamos ter em ações de finalização, mas fomos criando apesar de não as conseguirmos concretizar, mas sabemos que jogos depois da Liga dos Campeões são sempre bastantes difíceis, mas acima de tudo destacar a ambição, a crença, a personalidade, o acreditar sempre até ao fim, os adeptos também a sentirem-se importantes, acaba por ser uma vitória merecida, difícil, com mérito do Nacional, dentro da sua organização e competitividade, sabíamos que ia ser um jogo difícil, mas conseguimos o queríamos, que era ganhar.

- Nuno Santos regressou hoje à competição na equipa B, está cada vez mais perto de regressar à principal? E Matheus Reis está na porta de saída?

- O Matheus é jogador do Sporting. Pelo Nuno ficámos todos muito felizes, é um jogador importante, tem um passado importante no grupo, faz parte do leque dos capitães, a competitividade e a qualidade dele é muito grande, toda a gente reconhece, teve paragem longa, uma lesão difícil, poucos conseguiriam voltar como ele, a resiliência dele é algo difícil de explicar, está no seu caminho, enche o campo, mas vai levar algum tempo a termos o melhor Nuno, que é o que todos desejamos, mas muito feliz por vê-lo a fazer o que mais gosta.

- A ausência de Hjulmand está a marcar este jogo. Fala-se de uma possível proposta do Ath. Madrid. O que pode dizer aos sportinguistas?

- Foi uma decisão nossa dentro daquilo que eram os problemas pessoais. Amanhã está para treino e quinta está para jogo, vai ser titular com toda a certeza, espero que não lhe aconteça nada no treino. Isso nem sequer é um assunto para mim.

- Luis Suárez disse a meio da semana que foi inteligente em ter vindo para aqui. O Sporting também foi inteligente em contratá-lo? E o treinador está a ser inteligente em pô-lo a jogar desta forma?

- Muito inteligente. Tivemos a capacidade de o descobrir, por todas as características que tem sabíamos que ia ser um jogador impactante. Valoriza-se ele e a quem está à volta dele, está motivado, com confiança, a capacidade de trabalho está lá, falhou um golo fácil, mas depois marcou dois golaços, um deles foi anulado, mas a ação técnica foi fantástica, infelizmente esta fora de jogo. Veio para uma equipa campeã que o ajuda a crescer, ouve os seus treinadores, procura sempre ser melhor. Está feliz por estar num grande clube.

- É o segundo jogo consecutivo para a Liga que o Sporting ganha com um golo aos 90+6'. É só cansaço ou há algo mais?

- Nas outras épocas não marcaram além dos 90? O jogo acaba quando o árbitro der sinal para acabar. É a crença e qualidade da equipa, para fazer golo temos de acreditar. A capacidade da equipa tem sido estupenda. O nosso caudal ofensivo tem sido bastante grande, há mérito dos adversários em algum momento em anular algumas armas e também dentro do que são os condicionalismos. Se calhar se tenho o Inácio hoje criava outras coisas. Trincão só podia jogar pouco tempo, Pote está a voltar de lesão. Em termos estratégicos não ter jogadores condiciona um pouco. O Edu fez um jogaço, mesmo com máscara, que o condiciona muito, o Ousmane fez um jogo competente, mas contra equipa de blocos como o Nacional precisávamos de passes mais longos, mas não tínhamos disponíveis. Mas, a equipa foi competente, o espírito do grupo é fantástico.

- A presença interior dos laterais quase como médios interiores, nomeadamente Fresneda e Maxi Araújo, nestas zonas o que permite?

- É a variabilidade do jogo, às vezes andam dentro e fora. Dentro das nossas caraterísticas individuais tentámos ajustar. O Iván [Fresneda] tem cheiro de atacar a área muito bom, já fez golo nessa zona, são jogadores diferentes, com características para expor o adversário.

- No final do jogo abraçou Alisson, foi uma despedida? E para que não restem dúvidas, não houve nenhum problema disciplinar com Hjulmand?  

- Hjulmand joga na quinta, já respondi. Em relação ao Alisson fui felicitá-lo pela capacidade de crescimento que está a ter, melhores decisões, é um jogador do Sporting que está a crescer. Foi felicitá-lo, apenas e só, por mais uma assistência.