Líder da Premier League não vacilou e resolveu assunto no Emirates

A época do Arsenal: jejum a terminar, Gyokeres de menos a mais e... muito cuidado com as bolas paradas!

'Gunners' continuam na luta por conquista inédita dos quatro principais troféus. O desejo da conquista da Premier League pela primeira vez desde 2004 e o sonho europeu coabitam num estádio habituado ao sofrimento

O Arsenal vai disputar os quartos de final da UEFA Champions League diante do Sporting na reta final de uma época guiada por sonhos. O principal objetivo torna-se cada vez mais real a cada semana que passa: a conquista da Premier League pela primeira vez desde 2004.

A sete jornadas do final da prova, o Arsenal lidera com mais nove pontos do que o Manchester City, que tem um jogo em atraso. O duelo entre as duas equipas no Etihad, agendado para 19 de abril, dias depois da segunda mão dos quartos da Champions, não atormenta como dantes um clube habituado ao fracasso.

Nas três últimas edições da Premier League, o Arsenal lutou pelo troféu, mas terminou sempre em segundo lugar mergulhado em dúvidas. Mikel Arteta, há seis anos e meio no cargo de treinador, redirecionou os gunners rumo ao topo do futebol inglês, mas demorou a rasgar o rótulo de perdedor.

Este tem tudo para ser o ano em que o estereótipo cai em saco roto. Os empates em jornadas consecutivas diante de Brenford e Wolverhampton, a 12 e 18 de fevereiro, podiam ter espoletado o início do fim, mas os comandos de Arteta transpiram maturidade esta temporada.

A cerca de dois meses do final da época, o Arsenal tem a hipótese de conquistar a Premier League, a UEFA Champions League, a FA Cup e a Taça da Liga na mesma temporada.

O primeiro match point é já no domingo, diante do Manchester City, na final da Taça da Liga. O duelo diante do Southampton nos quartos da Taça de Inglaterra abre a porta de Wembley a uma equipa que não conquista um título desde agosto de 2023.

O resultado vale mais que o espetáculo

O Arsenal pode não ser a equipa mais entusiasmante da Europa, mas os resultados justificam o pragmatismo. 23 dos 61 golos marcados pelos londrinos esta época na Premier League (38%) aconteceram a partir de lances de bola parada. A pressão exercida sobre os guarda-redes e os adversários na marcação homem-a-homem abrem alas para golos mais valiosos do que bonitos.

A mobilidade e qualidade técnica de Saka, Eze, Martinelli, Trossard e Madueke favorecem maior liberdade posicional e remates exteriores de alto nível. Rice e Zubimendi são indiscutíveis numa linha média debilitada pelas ausências de Martin Odegaard e Mikel Merino. O médio espanhol, por vezes utilizado por Arteta como número 9, não deve jogar diante dos leões.

A âncora do sucesso, ainda assim, está no setor mais recuado. Arteta abdica de laterais puros para ter maior qualidade na primeira fase de construção e um bloco do mais sólido que há na Europa do futebol: 32 golos sofridos em 49 jogos.

Gyokeres: a peça que faltava?

As contratações de Norgaard, Madueke, Kepa, Mosquera, Hincapié e Eze potenciaram a profundidade e qualidade do plantel dos gunners, mas Viktor Gyokeres foi o grande reforço do verão de 2025. O preço pago (65,7 milhões de euros fixos mais €10,2M em bónus) justifica o crescimento das expectativas, inicialmente defraudadas.

Gyokeres marcou apenas dois golos nos primeiros 11 jogos pelo Arsenal e as dúvidas acumularam-se nas costas do avançado sueco. A influência diminuta até na construção ofensiva, com poucos toques por partida e saídas de campo precoces, motivaram muitas críticas e poucas certezas quanto ao encaixe de jogador alimentado pela profundidade na equipa.

A viragem para 2026, ainda assim, precipitou um novo Gyokeres, mais adaptado e habilitado a colocar a máscara. Oito golos em 12 jogos disputados entre 14 de janeiro e 22 de fevereiro aumentaram o crédito do melhor marcador na temporada (16).

Gyokeres regressa a Alvalade mais preso de movimentos e menos confiante, mas é uma das principais armas para ferir a equipa pela qual marcou 97 golos em 102 jogos entre 2023 e 2025.