André Villas-Boas continua a somar troféus como presidente do FC Porto - Foto: Imago
André Villas-Boas continua a somar troféus como presidente do FC Porto - Foto: Imago

Não preciso que me ames, basta que me respeites

'A Minha Tribo' é o espaço de opinião de Jorge Nuno Oliveira, jornalista e adepto do FC Porto

O título de campeão 2025/26 foi, já aqui o disse, muitíssimo importante e saboroso. Decisivo, mesmo. Depois de 42 anos de Pinto da Costa, era crucial perceber se o FC Porto mantinha a sua identidade conquistadora ou se, pelo contrário, estaríamos condenados a uma travessia do deserto de resultados, especialmente no futebol.

A segunda época de André Villas-Boas como presidente esclareceu as dúvidas de forma categórica.

O futebol foi a modalidade mais vitoriosa do clube, com magníficos requintes históricos. Foi uma época estrondosa. Somos campeões em todos os escalões (um feito raríssimo no futebol português, que tem de ser glorificado como algo de extraordinário), temos uma equipa feminina que subiu duas vezes de divisão em apenas dois anos de existência, criámos a equipa de futsal sénior. Melhor do que isto, é impossível. A hegemonia escreve-se com três letras: FCP. E duas cores: azul e branco.

É uma época notável, que não aconteceu por acaso. Não se perde e não se ganha por acaso. Perdemos quando o adversário é melhor. Ganhamos porque somos melhores do que o adversário. E, no futebol, isso aconteceu sempre. Ganhámos. Foi um sucesso planeado meticulosamente, com níveis de exigência, profissionalismo e competência só ao alcance do FC Porto.

Somos o único clube a conquistar o título de campeão nacional de futebol em todos os escalões. E conseguimos esse feito extraordinário por três vezes. Continuamos a abrir caminho para novas gerações de futebolistas, impregnados de ambição e sede de vitórias. Somos os melhores na formação, na aprendizagem, no treino. Somos os melhores no exemplo de solidariedade e entreajuda.

Somos os melhores na alta competição e na máxima exigência.

Tínhamos como exemplo um caminho de excelência. Esta direção, jovem e moderna, está a prolongar e aumentar os níveis de qualidade de um clube que em apenas dois anos cresceu em número de sócios, em assistências no Dragão, em fervor apaixonado e em conquistas desportivas. Continuamos a escrever a História.

O profissional

Sérgio Conceição reapareceu após dois anos de silêncio e falou, naturalmente, dos anos que passou a treinar o FC Porto.

É muito fácil dizer mal de Sérgio Conceição. Mas também é muito fácil dizer bem dele. Tudo depende do ponto de vista.

Sérgio Conceição é uma figura histórica do FC Porto. É o treinador com mais títulos no Dragão, foi um jogador diferenciado, deu ímpeto e combatividade às equipas onde jogou e que treinou. Quem acompanha o seu percurso fica sempre com a ideia de que ele dá tudo o que pode dar, que combate sem tréguas e que exige sem compromissos. Ou seja, é um dragão na matriz da excelência e da luta pela vitória, custe o que custar e seja contra quem for. É um homem de convicções firmes, sem meios-termos. É muito fácil odiá-lo, exatamente na mesma medida em que é fácil admirá-lo.

Sérgio Conceição confunde-se, por vezes, com o FC Porto. Mas não é bem assim. São duas identidades distintas, abraçadas por momentos de glória, combate, sensibilidade, gratidão, frustração e profissionalismo. Sérgio Conceição é um profissional do futebol e move-se, como é natural em qualquer profissional do futebol, por critérios que não se submetem à paixão.

Gratidão, sim; respeito, também; humildade, idem. Mas paixão, não.

Quase todos os que fizeram a glória do FC Porto foram profissionais, foram competentes e foram conquistadores. Os que não trouxeram conquistas não deixaram de ser profissionais, mas não foram mais do que isso.

Prefiro, por isso, dedicar-me à paixão pelo Porto e engalanar os que viveram e vivem o Porto com a paixão de um amor único e incompreensível.

Um nome tatuado

Jorge Nuno Pinto da Costa foi um desses. Sobre ele, posso dizer coisas terríveis e coisas maravilhosas. Tive a sorte de o conhecer pessoalmente, em ocasiões muito diversas. E sempre vi nele o brilho da paixão e da exigência inegociável. Mas também assisti, com choque e mágoa, aos episódios do Apito Dourado, que mancham a História bonita do FC Porto. Tal como assisti, com revolta e frustração, aos últimos momentos do seu longo consulado, permissivos de abutres e parasitas. Mas nada disso esconde a vontade com que Pinto da Costa elevou ao Mundo o nome do FC Porto. É muito fácil dizer mal de Jorge Nuno Pinto da Costa. É muito fácil dizer bem de Pinto da Costa. Eu direi, apenas, que 42 anos foram mais do que suficientes e que Jorge Nuno Pinto da Costa deveria ter tido a sabedoria de sair antes de uma derrota humilhante, mas justa e muito necessária para o futuro do clube. O nome de Jorge Nuno Pinto da Costa está tatuado na pele do Dragão. E, como qualquer tatuagem, tanto pode ser exibida com orgulho, como escondida ou disfarçada.

André Villas-Boas sabe isso como ninguém. Ele desafiou-o, enfrentou-o e derrotou-o numas eleições em que os sócios disseram, como nunca antes tinham dito, que queriam um novo rumo para o clube, estrangulado por inércias e oportunismos e à beira de perpetuar uma dinastia. Mas derrotar Jorge Nuno Pinto da Costa não significa remover Jorge Nuno Pinto da Costa da História do FC Porto e da pele do dragão. André Villas-Boas percebeu isso e respeitou o legado. É pena que alguns familiares e amigos de Pinto da Costa não tenham percebido o mesmo e não tenham tido a humildade democrática de respeitar a vontade dos sócios e não tenham percebido que o FC Porto é maior do que qualquer presidente e que não pertence a ninguém. Apenas e só aos sócios. E é pena que continuem a aflorar, aqui e acolá, suspiros de gente que alimenta a ilusão de vingar a memória de alguém que não precisa de vinganças, nem suspiros, nem ilusões. Apenas respeito. O resto é calculismo vil de quem se alimenta do fracasso para alcançar proveitos que não merece.

Capitães do Mundo

Capitães do Mundo é uma série da Netflix que vem mesmo a calhar. Agora que o Mundial já rola e Portugal se prepara para a estreia, esta quarta-feira, vale a pena ver ou rever esta série que percorreu os bastidores do Mundial de 2022. Há episódios para todos os gostos. Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé, Harry Kane, Neymar ou Thiago Silva, que ainda agora se sagrou campeão pelo FC Porto, são alguns dos protagonistas.

Capitães do Mundo, série da Netflix. Vale a pena ver.

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