A curiosa história de um ex-Sporting que agora assombra o Everton... na Escócia
A carreira de Chermiti tem vários pontos invulgares. Diferente de muitas outras. O aparecimento prematuro no Sporting, em 2022/2023, com apenas 19 anos, não foi a espaços. Chegou e entrou num onze de Ruben Amorim onde escasseavam pontas de lança. Uma janela de oportunidade que Chermiti agarrou. 22 jogos, três golos, duas assistências. No ano de estreia. O primeiro e último com a camisola dos leões, pois no ano seguinte protagonizou uma das transferências surpreendentes do futebol luso: uma saída para a Premier League, para o histórico Everton, a troco de €12,5 milhões.
Em Inglaterra deparou-se com uma realidade totalmente diferente. Apesar das aparições na equipa inglesa, faltava o essencial: golos. 20 jogos sem fazer o gosto ao pé. Obrigando a algumas descidas de escalão, aos sub-21, para ganhar ritmo. A paciência dos adeptos (e dirigentes) do Goodison Park esgotou-se no ano seguinte. Apenas quatro jogos, sem golos. E não deu para mais.
Seguiu-se uma venda para a Escócia, o Rangers, onde o atacante, hoje com 21 anos, aparece com outro estatuto, uma maturidade e uma consolidação exibicional que originou, finalmente, os golos. Leva sete nas últimas 29 partidas, três dos quais no escaldante duelo com o Hearts, que deixou os Rangers mais perto do topo da classificação do futebol escocês. Nada mais será igual a partir de agora. E o eco dos golos já chegou ao clube de onde saiu. Uma saída que, dizem na Escócia, irá assombrar o Everton nos próximos anos.
Podemos facilmente fazê-lo parecer um jogador mau se pedirmos para ele fazer coisas que não é capaz de fazer. Mas o técnico do Rangers claramente está a tirar o melhor dele agora
Dan Micchiche, treinador e analista que trabalhou com Chermiti no Everton, em declarações ao The Dailly Record, admite que as circunstâncias e o azar acabaram por tramar o gigante de 1,93 metros, com perfil para se tornar ídolo na Escócia.
«Ele queria trabalhar e aprender. É um garoto muito educado e humilde. Tinha muito potencial, o que acabou por ser determinante para o Rangers o contratar. Penso que agora estão a colher os frutos por todo o trabalho que fez nos últimos dois anos», começou por dizer, prosseguindo depois:
«Não me surpreende que não tenha deixado as críticas afetá-lo. Basta ver de onde veio. Chegou ao Everton vindo do Sporting, já tinha estado em grandes jogos. E o Everton não é um clube fácil de jogar ou trabalhar. É um clube apaixonado numa cidade apaixonada, temos de ter algo especial aos 19 anos para treinar com jogadores da Premier League todos os dias e jogar contra o Goodison Park.»
Micchiche até aproveitou para fazer uma comparação com uma antiga figura da seleção inglesa.
«A chave para o Youssef é jogar com seus pontos fortes. Se olharmos para um jogador grande como Peter Crouch quando jogava – mesmo sendo alto, sua força não estava necessariamente no ar. Youssef é igual. É bom com a bola nos pés e consegue avançar. Podemos facilmente fazê-lo parecer um jogador mau se pedirmos para ele fazer coisas que não é capaz de fazer. Mas o técnico do Rangers claramente está a tirar o melhor dele agora», disse, fazendo uma revelação:
«O plano no Everton era que Youssef fosse o atacante número um do clube, a primeira escolha deles...»