20 anos da fábrica de talentos que mudou o Benfica
Quartel-general do futebol profissional masculino e feminino, fábrica de talento, fonte milionária. O Centro de Formação e Treino do Benfica, agora oficialmente conhecido como adidas Benfica Campus, completa, hoje, 20 anos.
A inauguração teve lugar a 22 de setembro de 2006, com o nome Caixa Futebol Campus, seis anos depois de ter sido colocada a primeira pedra, pelo então presidente João Vale e Azevedo. A construção, ainda assim, só arrancou em julho de 2003, já com as aprovações oficiais do ministério do Ambiente e Ordenamento do Território e ministério do Desporto e da Juventude.
As obras começaram na presidência de Manuel Vilarinho, mas foi já com Luís Filipe Vieira ao leme que as águias inauguraram o novo quartel-general.
Vinte anos depois, com obras de expansão e remodelação, finalizadas em 2019, pelo meio, o Benfica Campus conta com uma área de 19 hectares, com nove campos de futebol utilizados pelas equipas principais masculinas e femininas, bem como pelos escalões de formação, dos sub-13 ao Benfica B.
O coração da formação encarnada bate no Seixal. Neste momento, de acordo com dados divulgados pela Agência Lusa, 192 atletas treinam-se diariamente no Benfica Campus e 76 são residentes. As águias procuram conjugar a evolução técnica, física e tática com o acompanhamento do percurso educativo e desenvolvimento pessoal dos atletas ainda em idade escolar.
A riqueza das infraestruturas é complementada pela profundidade a nível de recurso humanos: mais de 300 funcionários fixos e externos desempenham funções no Benfica Campus, entre os quais 47 treinadores. O trabalho realizado reflete-se nos resultados dentro de campo. Os encarnados conquistaram 23 títulos nacionais nas duas últimas décadas, entre sub-15 (9), sub-17 (9), sub-19 (4) e sub-23 (1). E alcançaram a glória internacional em duas ocasiões, num espaço de quatro meses.
Ao fim de quatro tentativas, as águias venceram a Youth League, a 25 de abril de 2022, após terem caído nas finais de 2013/14, 2016/17 e 2019/20. A 21 de agosto do mesmo ano, os jovens encarnados levantaram a Taça Intercontinental, na sequência de um triunfo (1-0) sobre o Peñarol, campeão sul-americano de sub-20 em título.
O Benfica alcançou nova marca histórica em 2024/25, quando os sub-15, sub-17 e sub-19 se sagraram campeões nacionais na mesma temporada pela primeira vez, os sub-23 conquistaram o primeiro título de sempre (Taça Revelação) e o Benfica B alcançou um histórico quarto lugar na Liga 2.
Mais do que os títulos, ainda assim, a principal conquista para muitos jovens encarnados chega no final do percurso formativo: a estreia na equipa principal. Miguel Figueiredo foi, até ao momento, o último estreante esta época formado no Benfica Campus, tendo sido escolha inicial de Marco Silva para a visita das águias a St. Gallen (1-2), a 23 de julho.
O médio de 18 anos tornou-se no quarto campeão do Mundo de sub-17 a estrear-se pela equipa principal, depois de José Neto, Daniel Banjaqui e Anísio Cabral. O Benfica esteve representado por nove jogadores nas conquistas europeias e mundiais da Seleção Nacional no escalão em 2025.
José Neto e Daniel Banjaqui, ambos estreados por Mourinho, já receberam a confiança de Marco Silva esta temporada. Além dos três campeões do Mundo e da Europa de sub-17, o técnico dos encarnados já utilizou outros seis jogadores formados no Seixal: Samuel Soares, Tomás Araújo, António Silva, Gonçalo Moreira, Tiago Gouveia e João Rego.
Miguel Vítor foi o primeiro jogador a estrear-se pela equipa principal, após representar as águias nas camadas jovens, já no Benfica Campus. O defesa-central somou minutos pela primeira vez a 25 de agosto de 2007, diante do V. Guimarães, aos 18 anos.
O guardião e o sub-capitão integram mesmo o top-5 de jogadores com mais minutos somados esta temporada, com 1.004 e 990, respetivamente. A presença assídua de talento made in Seixal nas opções da equipa principal é uma realidade familiar no mundo encarnado há cerca de uma década.
Nas últimas onze temporadas, apenas em 2020/21 o top-10 de atletas com mais minutos somados não contou com jogadores formados no Seixal. A exceção tinha sido regra entre 2009/10 e 2014/15, período em que nenhum atleta com passagem pelas camadas jovens encarnadas figurava no topo das listas de utilização.
Não obstante, a soma esporádica de minutos ainda supera a continuidade. Na última época, por exemplo, Bruno Lage e, especialmente, José Mourinho utilizaram 16 jovens com passagem pela formação encarnada, mas apenas dois somaram mais de mil durante a época: Tomás Araújo e António Silva.
O caminho está delineado para que os jovens encarnados cheguem à equipa principal… e a outra ala do Benfica Campus, dotado de condições de trabalho, recuperação física e descanso de referência a nível internacional. José Mourinho, por exemplo, não poupou elogios ao «Benfica do Seixal», depois do último jogo no comando das águias, no Estoril, a 17 de maio.
«O Benfica tem um Seixal bom, limpo, tem tudo para voltar a ser feliz… mas não chega. O Seixal está pronto para voltar a atacar títulos», frisou na Amoreira, num dos últimos capítulos de uma história muito próxima ao quartel-general encarnado.
O Benfica Campus é também a casa da equipa principal de futebol feminino desde agosto de 2023, cinco anos depois do início da secção. As hexacampeãs em título treinam-se diariamente no Seixal e jogam, habitualmente, as partidas oficiais dento de portas no Campo N.º1, com capacidade para 2.644 espectadores.
Novo nome e expansão: porta aberta ao futuro
Caixa Futebol Campus, Benfica Campus, adidas Benfica Campus. A história do nome do Centro de Formação e Treinos dos encarnados ganhou novo capítulo a 14 de setembro, quando o clube anunciou a renovação da parceria com a marca alemã de equipamentos.
O novo acordo, que proporcionará a entrada de 120 milhões de euros, válido para os próximos seis anos (2027-2033), inclui os direitos de naming do Benfica Campus. Assim era o nome do quartel-general dos encarnados desde 2019.
O nome de batismo, desde o dia da inauguração e que durou 13 anos, era Caixa Futebol Campus, fruto da parceria entre o Benfica e a instituição bancária. O novo nome oficial do centro de treinos dos encarnados está, desde meados de setembro, inscrito à entrada de um espaço sem ordem para parar de crescer.
O plano de expansão está em cima da mesa desde a presidência de Luís Filipe Vieira. O então presidente tinha garantido, aquando da visita guiada após as obras de remodelação do recinto em abril de 2019, que a ampliação estava «salvaguardada e assegurada», após a compra da Quinta do Algarve, terreno com 42 hectares.
Seis anos depois, seguem as conversas entre as águias e a Câmara Municipal do Seixal. O presidente da autarquia, Paulo Silva, revelou detalhes de uma reunião entre duas partes, a 10 de janeiro, na qual a comitiva do Benfica, encabeçada por Rui Costa, apresentou «projetos de desenvolvimento do Centro de Estágios do clube e da Quinta do Algarve».
A autarquia do Seixal já reconheceu a importância do Benfica Campus, pela criação de mais de duas centenas de postos de trabalho, pelo desenvolvimento da zona circundante e pela promoção do concelho.