Tem de ser esta a base do Benfica
João Neves e Otamendi celebram passagem aos quartos de final da Liga Europa. Foto: IMAGO/Sportimage
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O MISTER DE A BOLA Tem de ser esta a base do Benfica

NACIONAL15.03.202418:02

João Alves, antigo médio do Benfica, analisa a vitória das águias frente ao Rangers nos oitavos de final da Liga Europa

João Alves, antiga glória do Benfica. Foto: ANDRÉ ALVES/ASF

1. Florentino e João Neves: a melhor dupla de médios

O meio-campo é sempre o segredo. Florentino e João Neves são a melhor dupla de médios neste sistema, que rentabiliza melhor os jogadores criativos. Tem de ser esta a base, e a equipa tem tudo para ser melhor com o decorrer dos jogos. A defesa do Benfica tem estado muito vulnerável, e melhorou muito com a inclusão de Florentino. Os jogadores adversários têm chegado com muita facilidade a situações perigosas de zona frontal, situações de dois contra dois e até superioridade numérica, e com Florentino, que fez um jogão, não só na parte defensiva como na parte de construção, a equipa fica mais equilibrada.

2. Importância de defender bem

As equipas tiveram respeito uma pela outra, só houve dois lances de golo na primeira parte. É curto, mas é importante dizer, há momentos das equipas em que se tem de jogar com o máximo de rigor, não se consegue ser tão brilhante como os adeptos gostam, mas é preciso conquistar resultados. Foi um jogo em que foi importante defender, a equipa vinha de maus resultados, e é evidente que era fundamental aparecer um Benfica que fosse capaz de defender bem e desta vez aconteceu, e tem muito a ver com a entrada de Florentino na equipa. Uma grande equipa tem de ser sólida defensivamente, e o Benfica demonstrou isso na Escócia com o Florentino.

3. Quem é o ponta de lança?

A grande questão continua a ser quem joga a avançado centro, não há uma decisão definitiva do treinador e é urgente que seja tomada. Os jogadores têm culpa no cartório, pois embora todos tenham tido momentos bons durante a época, nenhum se conseguiu impor, sendo que as intermitências são também responsabilidade do treinador. Tengstedt entrou para o lugar de Marcos Leonardo na segunda parte: nota-se que é bom jogador, mas ainda não está preparado para tantos jogos sem tempo de recuperação, pareceu um jogador cansado. Neres também sentiu dificuldades defensivas no segundo tempo e acabou por ser substituído, está sem andamento para 90 minutos, esteve muito tempo parado. O treinador esteve muito bem e atento, substituiu-o na hora certa. Kokçu não é médio ala, não tem caraterísticas para jogar naquela posição, mas é bom tecnicamente e cumpriu o seu papel dentro da equipa.

4. Jogadores de classe

Uma equipa ganhadora precisa de ter jogadores com classe. Nos momentos maus que todas as equipas atravessam, esses jogadores de classe à parte são decisivos. Otamendi foi o grande patrão da parte defensiva do Benfica, independentemente de o resto da defesa também ter feito um bom jogo, mas a classe de Otamendi foi muito importante, tal como a classe de Di María e Rafa, que trabalharam muito bem defensivamente. Estes jogadores, que são grandes jogadores individualmente, foram também grandes coletivamente, e o Benfica precisava realmente disso, e consegue esta vitoria muito baseada nesses aspetos, o coletivo. Todos se entregaram ao jogo, dentro das suas caraterísticas, mas com compromisso coletivo e isso foi decisivo para o resultado.