Sporting, FC Porto e não só: clubes reagem à polémica entre Proença e Fernando Gomes
Em comunicado divulgado neste domingo, o Sporting diz estar a acompanhar «com grande preocupação os recentes acontecimentos que envolvem a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e as suas potenciais repercussões na representação do futebol português junto da UEFA».
O emblema liderado por Frederico Varandas entende que este é um «momento importante para o futuro do futebol nacional», tendo em conta projetos como o Campeonato do Mundo de 2030 e a candidatura ao Campeonato da Europa de Futebol Feminino de 2029, pelo que «considera fundamental que Portugal mantenha uma voz ativa e influente nos órgãos de decisão do futebol europeu».
O Sporting acrescenta que «uma eventual perda de representação portuguesa no Comité Executivo da UEFA poderá comprometer a defesa dos interesses do futebol, fragilizando a posição de Portugal nas grandes decisões estratégicas do futebol europeu e mundial».
Nesse sentido, o comunicado termina com um apelo à «necessidade de estabilidade, bom senso e responsabilidade na gestão do futebol nacional, para que o país continue a ser um interlocutor respeitado e relevante no panorama internacional».
Esta posição do Sporting surge na sequência da polémica acentuada na última semana, com Pedro Proença a fazer referência a um suposto apoio de Fernando Gomes, antecessor na presidência da Federação Portuguesa de Futebol, no âmbito da eleição do Comité Executivo da UEFA, algo que reiterou publicamente neste sábado, à margem de um evento da Associação de Futebol do Porto.
«Quero dizer que o Dr. Fernando Gomes tem feito um trabalho exemplar no apoio à minha candidatura ao Comité Executivo da UEFA. O apoio que já foi consagrado, no que me diz respeito, a mim e à FPF, dizendo às 55 federações internacionais do apoio do dr. Fernando Gomes. Estamos muito satisfeitos com o apoio do Dr. Fernando Gomes», afirmou, em declarações reproduzidas pela própria federação.
Ora, Fernando Gomes negou esse apoio, e fez questão de enviar também uma carta a presidentes das federações europeias, a dar conta disso mesmo, deixando críticas ao sucessor: «Tenho de dizer-lhe que hoje percebo que não partilhamos uma visão comum para o futebol e o desporto. Pedro Proença escolheu o caminho da destruição do legado que eu e a minha equipa construímos ao longo de treze anos, através de decisões e insinuações públicas que visam atacar o nosso bom nome e que, como se verá, são completamente infundadas», escreveu o agora presidente do Comité Olímpico de Portugal, que garantiu que o seu nome foi utilizado «sem consentimento prévio ou mesmo informação».
Para esta segunda-feira foi agendada uma reunião de emergência da direção da FPF, decisão sustentada com «gravíssimas insinuações» de Fernando Gomes, na referida carta.
O FC Porto também reagiu à polémica, em comunicado divulgado já depois da vitória no Estoril, para a 27.ª jornada da Liga. Os dragões manifestam «séria preocupação», e consideram «absolutamente fundamental que Portugal se mantenha representado nas mais altas instâncias reguladoras do futebol internacional (incluindo na UEFA), por forma a assegurar a proteção dos interesses do futebol português a nível europeu e mundial». «É por isso imperioso que se esclareçam os factos relativos a este grave incidente para que episódios semelhantes não se repitam no futuro e para que se restabeleça, de forma prioritária, a cordialidade e a normalidade no relacionamento institucional entre as entidades que regem o desporto em Portugal», conclui a nota portista.
AROUCA FALA EM «DECLARAÇÕES DESPROPOSITADAS»
O Sporting não foi o único clube a reagir a esta polémica. O Arouca foi mais além, de resto, e também aponta o dedo a Fernando Gomes, ao fazer referência a «declarações despropositadas» que podem «prejudicar, conscientemente, o futebol português». «Apesar disso, acreditamos na competência e capacidade de trabalho do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Desta forma, manifestamos publicamente o apoio incondicional ao nosso Presidente, desejando que seja eleito para o Comité Executivo da UEFA, honrando assim o legado do futebol português», refere o comunicado do emblema arouquense.
SC BRAGA ESPERA «AMPLO CONSENSO»
Entretanto, também o SC Braga assumiu posição em comunicado, no qual decidiu «reassumir a sua posição institucional de compromisso com os grandes objetivos do futebol português». Em comunicado bastante idêntico ao do Sporting, os arsenalistas defendem que a perda de relevância no quadro europeu «pode representar um prejuízo coletivo», «beliscando o interesse dos clubes e das associações». «A posição de Portugal nas altas esferas do futebol justifica especial sensibilidade, sob pena de qualquer dano ou oportunidade desperdiçada constituir também uma ameaça potencial para todo o desporto», defende o emblema liderado por António Salvador, que espera um «amplo consenso nacional que priorize o interesse geral do futebol e do desporto».
FAMALICÃO TAMBÉM PREOCUPADO
O Famalicão também divulgou um comunicado muito idêntico, a lembrar a organização do Mundial 2030 e a candidatura ao Europeu Feminino de 2029, para deixar o apelo para «um consenso de todas as instâncias nacionais em prol do futebol nacional, de forma a que se mantenha como parte integrante e ativa nos desafios que se seguem no plano internacional».
ARTIGO ATUALIZADO