«O que fizeram no Estádio da Luz foi completamente inadmissível»
Roger Schmidt no Estádio da Luz. Foto: IMAGO/Maciej Rogowski

«O que fizeram no Estádio da Luz foi completamente inadmissível»

NACIONAL11.12.202311:00

António Pacheco é da opinião que Rui Costa esteve bem na intervenção que fez no sábado passado; o antigo avançado considera que se o Benfica voltar às vitórias, tudo se perdoa

O Benfica tem vivido dias difíceis. A eliminação precoce na Liga dos Campeões e a liderança perdida no campeonato culminaram com uma audível e visível contestação a Roger Schmidt, no jogo contra o Farense, no momento em que o técnico realizou duas substituições quando se encontrava em desvantagem no encontro. Rui Costa saiu em defesa do treinador alemão um dia depois, para acalmar os ânimos entre a massa associativa encarnada. 

A BOLA esteve à conversa com várias personalidades, que falaram sobre o momento conturbado que a águia atravessa.

António Pacheco, antigo jogar do Benfica. Foto: CARLOS VIDIGAL/ASF

— Como avalia a intervenção de Rui Costa ao defender Roger Schmidt?

— Acho que esteve bastante bem. Ao presidente do clube cabe-lhe uma de duas coisas: ou não está satisfeito e toma uma decisão sobre o treinador ou, caso não seja essa a sua opinião, deve proteger o treinador com toda a força que tiver, porque o treinador continua a ser uma aposta do presidente, e continua a ser o treinador dos benfiquistas, portanto, deve ser protegido, independentemente de ter direito a fazer as suas asneiras. Caso não seja protegido, não faz sentido mantê-lo. Devo reforçar que, por muito que as pessoas possam contestar o treinador, o que fizeram no Estádio da Luz foi completamente inadmissível.

— Depois da contestação no jogo com o Farense e as declarações de Rui Costa, é possível reparar a relação entre os adeptos do Benfica e Roger Schmidt?

— No futebol é sempre possível reparar todo e qualquer mal que possa hipoteticamente existir. Há uma forma para isso, chama-se ganhar. Quem ganha, resolve todos os problemas. Ou melhor, nem existem problemas quando se ganha.

No futebol não há dois anos iguais.

— Que motivos têm os benfiquistas para acreditar que a equipa vai melhorar?

— Têm motivos claro, a equipa é basicamente a do ano passado, teoricamente foi reforçada. No futebol não há dois anos iguais, e não é por manter a mesma equipa que as coisas evoluem. Podem manter-se, mas cabe ao Benfica evoluir. Este ano, com uma nova adaptação e novos jogadores, às vezes até novos esquemas táticos, não tem sido fácil. Também tenho que abrir aqui um parêntesis, que é o facto de o Benfica estar com muitas lesões, é sempre muito difícil.

— Faz sentido mudar de treinador e, se for esse o caso, quem gostaria de ver no Benfica?

— Não faz sentido nenhum mudar de treinador, a não ser que algo de muito grave se passasse. Até mesmo os treinadores, depois de falarem com as suas equipas técnicas e pessoas ligadas ao futebol, às vezes caem em si e reconhecem que talvez não tenham tido as melhores opções, não definiram as melhores estratégias para os jogos, e adaptam-se à realidade com que não estavam habituados a conviver. É sempre importante manter o treinador.

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