Xabi Alonso deixa Real Madrid: vitória sobre o Barcelona foi... o princípio do fim
MADRID — É a história de um despedimento anunciado, embora surja no momento menos esperado. Por «mútuo acordo» e 232 dias e 34 jogos depois, Xabi Alonso deixa de ser treinador do Real Madrid e é Álvaro Arbeloa o seu substituto.
Depois do êxito no Bayer Leverkusen, no Real Madrid entenderam que Xabi era o treinador ideal para trazer ar fresco, num novo projeto que fizesse esquecer o totalmente esgotado que havia dirigido Carlo Ancelotti. Para não haver perdas de tempo, foi o novo técnico quem dirigiu a equipa no Mundial de Clubes e, pese a derrota sofrida contra o PSG, nas meias-finais, as sensações foram boas e deram lugar a um moderado otimismo, confirmado pelo arranque na LaLiga com vitórias que se foram sucedendo umas às outras... até que chegaram as primeiras dúvidas com o 2-5 sofrido no dérbi madrileno.
Mas, por estranho que pareça, foi a partir da vitória em outubro, sobre o Barcelona, que as coisas começaram a torcer. Um quarto de hora antes do final da partida, Xabi decidiu substituir Vinícius Jr., que reagiu mal, com gestos e palavras. No dia seguinte, o brasileiro pediu desculpas a toda a gente menos ao treinador, que também não recebeu qualquer apoio por parte da Direção. Uma omissão que prejudicou a autoridade de Xabi dentro de um balneário repleto de intocáveis.
A partir daí, a equipa caiu a pique. Só por milagre não saiu de Liverpool goleada e, a nível interno, sucederam-se os maus resultados. Em pouco tempo, os cinco pontos de avanço transformaram-se em quatro de atraso para o Barcelona.
Xabi Alonso, ameaçado pela espada, não de Démocles, mas de Florentino Pérez, viveu em permanente estado de angústia. Cada jogo era uma final sem saber se esse seria o último. Foi-se salvando do despedimento, mas a bolha de oxigénio que lhe permitia sobreviver esgotou-se na Arábia Saudita.
Foi uma surpresa porque, apesar de ter saído derrotado, o Real Madrid competiu bem e, no geral, considerava-se que o crédito de Xabi Alonso havia aumentado. Mas os planos de Florentino eram outros. Partiu para Jeddah com a ideia de despedir o treinador se as coisas não corressem bem. No regresso a Madrid (e talvez até no próprio avião), a decisão que há muito pairava no ar tornou-se realidade.
Muito mais que os resultados, foram as más exibições, a sensação de que a equipa não jogava bem, que o controlo do balneário estava perdido e que a preparação física era deficiente que condenaram Xabi Alonso a ter a mesma sorte que Rafa Benítez e Julen Lopetegui. Florentino Pérez sempre foi assim: a sua confiança nos treinadores é bastante limitada. Para ele, o que conta são os jogadores, a quem dá máxima proteção. Mas o que menos suporta o presidente são os assobios de protesto vindos das bancadas do Bernabéu e que esta temporada já se ouviram várias vezes.
Apesar de nunca se ter visto o rock and roll por ele prometido, Xabi Alonso não é o único culpado da equipa estar como está. Falta um verdadeiro organizador de jogo, Modric queria continuar, mas abriram-lhe a porta de saída.
Rei morto, rei posto e poucos minutos depois de anunciar a saída de Xabi Alonso, o Real Madrid comunicou que o novo treinador será Álvaro Arbeloa, que, desde o passado verão, dirige a segunda equipa, o Castilla. Depois de ter feito toda a sua carreira de técnico dirigindo as categorias inferiores do Real, agora dá o salto para a primeira equipa, que dirigirá já esta quarta-feira, em Albacete, na Taça do Rei. Florentino, pelo menos por agora, confia nele, mas só o tempo dirá se a aposta foi ou não acertada.