Caleb Yirenkyi marcou pelo Gana e já é herói nacional - Foto: Imago
Caleb Yirenkyi marcou pelo Gana e já é herói nacional - Foto: Imago

Yirenkyi deixa à vista porque o dragão se apaixonou por ele

Médio que é alvo do FC Porto foi o jogador ganês que mais quilómetros percorreu no jogo contra o Panamá. Correu tanto que aos 90+5 surgiu na pequena área para dar vitória à equipa de Carlos Queiroz. No Gana, o pai, que é carpinteiro, prestou-lhe singela homenagem

Caleb Yirenkyi entrou no Mundial como um perfeito desconhecido para grande parte do mundo – e até para muitos adeptos do seu próprio país – e saiu do jogo inaugural contra o Panamá como herói nacional, ao apontar o golo da vitória aos 90+5. O médio sinalizado pelo FC Porto, que jogou com a camisola 3, mostrou a razão pela qual os dragões tentaram, ainda antes do arranque do certame nos Estados Unidos, Canadá e México, amarrá-lo.

Médio de enorme raio de ação, formado na Academia Right 2 Dream e lançado para o futebol europeu pelo Nordsjaelland, ganês de 20 anos ainda não saiu do radar portista, apesar das elevadas exigências financeiras do clube dinamarquês e de uma suposta aproximação do Real Madrid. Após a estreia em grande plano no Mundial, o dossiê promete ficar mais caro.

Frente ao Panamá, Caleb viu um cartão amarelo muito cedo, aos 16’, ainda a equipa procurava ajustar‑se ao ritmo forte do opositor, mas nem isso o condicionou. Em vez de se encolher, assumiu o meio‑campo com grande maturidade, comandando a pressão, encurtando espaços e oferecendo sempre uma linha de passe limpa aos companheiros. Foi, aliás, o jogador ganês que mais quilómetros percorreu em campo — qualquer coisa como 12,65 quilómetros — prova viva de um pulmão inesgotável e a robustez que o define: um atleta multidimensional que irrompe, salta linhas, com impacto físico e qualidade técnica num registo fluido.

Internacional A por 11 vezes, com dois golos marcados pelo Gana, Caleb também tem chegadas frequentes às imediações da área adversária, se a história do jogo ajudar. O que não foi o caso da primeira parte, na qual os africanos sofreram muito e praticamente não criaram perigo. Foi em ataque rápido que escreveu o primeiro grande momento na seleção: aos 90+5, apareceu na pequena área, na sequência de um cruzamento de Brandon Thomas‑Asante, que saíra do banco, para assinar o 1-0 que deixou o Panamá de rastos.

Foi o golo mais tardio de sempre de Gana numa fase final de um Mundial, excluindo prolongamentos, e transformou Yirenkyi – com 20 anos e 153 dias – no segundo jogador mais jovem a marcar pelos Black Stars na competição.

No Dragão, o nome de Caleb Yirenkyi surge enquadrado numa ideia de meio‑campo com base naquele que foi mais utilizado em 2025/26, assente em Alan Varela na posição 6, Victor Froholdt e Gabri Veiga como interiores de grande raio de ação. A estrutura azul e branca vê no ganês uma espécie de sombra para Froholdt, capaz de replicar a intensidade, a chegada à área e a capacidade de pressão do dinamarquês, mas com margem para crescer num contexto de Champions e num campeonato mais exigente. A prioridade passa por manter Froholdt, cada vez mais cobiçado em mercados como o inglês, precisamente porque o dinamarquês entende que ainda pode dar mais um salto competitivo com a camisola do FC Porto, mas a SAD trabalha em paralelo a pensar no futuro: tanto na sucessão natural do meio‑campo como na eventualidade de o mercado atacar em força o número 8,

Orgulho do pai

Enquanto o filho se anunciava ao Mundo no maior palco de todos, em Bechem, pequena cidade ganesa onde a família ainda vive, o pai de Caleb Yirenkyi, carpinteiro de profissão, montou no modesto atelier uma fotografia de Caleb emoldurada, que divulgou nas redes sociais.

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