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Mundial 2026: reportadas 104 violações de direitos humanos no México
Um relatório divulgado esta terça-feira por organizações cívicas revela 104 agressões e violações de direitos humanos no âmbito da preparação do Mundial 2026, que o México coorganizou com os Estados Unidos e o Canadá.
O documento, elaborado pelo Observatório Mundialista de Direitos Humanos, aponta para um padrão de abusos que inclui detenções arbitrárias, intimidação, censura, tortura e uso excessivo da força. Entre as vítimas estiveram manifestantes, jornalistas, defensores de direitos humanos, mulheres, membros da comunidade LGBTIQ+ e famílias de pessoas desaparecidas.
Esta iniciativa foi criada pela Rede Nacional Todos os Direitos para Todas, Todos e Todes (Red TDT), que congrega 88 organizações de 23 estados mexicanos, com o objetivo de monitorizar a situação dos direitos humanos durante o evento da FIFA.
Segundo o relatório, as violações estão associadas a «ações de limpeza de imagem adotadas pelas instâncias governamentais» e a dispositivos de «segurança, mobilidade, ordem urbana e controlo social» implementados para o torneio. O Observatório registou igualmente «repressão e criminalização de protestos» e «restrições à liberdade de expressão».
A investigação detalha que a retirada forçada de pessoas afetou diretamente grupos vulneráveis como migrantes, mulheres, minorias, comerciantes ambulantes e movimentos sociais nas cidades-sede de Cidade do México, Guadalajara e Monterrey. Estes grupos manifestavam-se para alertar turistas para diversos problemas sociais.
Entre os casos documentados estão deslocamentos forçados em Guadalajara e na Cidade do México, a remoção em massa de cartazes de busca por pessoas desaparecidas e dezenas de detenções arbitrárias. A Red TDT sublinhou ainda «o aumento da violência de género», afirmando que se «cometeram femicídios sob o pretexto da euforia do Mundial».
No total, foram identificados 63 eventos que resultaram em 104 agressões, focadas «principalmente na repressão de protestos e no abuso de poder, bem como em agressões perpetradas por parte das autoridades».
O Observatório reforça que «nenhum evento desportivo, por mais relevante que seja, pode justificar a suspensão de garantias constitucionais nem o enfraquecimento dos padrões mais elevados em matéria de direitos humanos».
Recorde-se que o México tornou-se no primeiro país a acolher o Campeonato do Mundo de futebol por três vezes, depois das edições de 1970 e 1986.