João Carvalho e Yanis Begraoui assumiram uma sociedade letal que conduziu os canarinhos à goleada - Foto: Manuel de Almeida/LUSA
João Carvalho e Yanis Begraoui assumiram uma sociedade letal que conduziu os canarinhos à goleada - Foto: Manuel de Almeida/LUSA

Yanis respondeu (Begra)oui à obra de arte de Carvalho (crónica)

Criativo português deu pincelada de classe, extremo franco-marroquino pintou a manta com um 'hat trick'. Expulsão de Abraham Marcus 'aniquilou' tricolores

Chegar a casa do adversário, não pedir licença e assinar uma obra de arte? Sim, é possível. Foi o que fez João Carvalho. O golo (perdão, o golaço) do criativo português foi a melhor forma de o Estoril entrar na partida. Ainda não viu o momento, caro leitor? Então, aceite o conselho: minuto três. Não se vai arrepender, podemos garantir. Que saco, diz-se na gíria futebolística.

Foi, pois, à boleia da pincelada de classe do capitão que o emblema da Linha partiu para uma noite de amarelo bem vivo. Que qualidade!

E antes disso, refira-se, já Yanis Begraoui e Rafik Guitane tinham deixado um aviso a Renan Ribeiro.

Os tricolores tentaram a reação imediata à desvantagem e Kikas, aos 5 minutos, esteve perto do empate. O capitão — que deverá ter feito o último jogo pelos estrelistas, uma vez que a sua transferência para os belgas do Eupen (equipa orientada pelo português Bruno Pinheiro e que luta pela promoção à elite daquele país) está praticamente fechada — testou a meia distância, mas a bola saiu a rasar o poste esquerdo da baliza de Robles.

Essa situação embalou os estrelistas, que passaram a jogar mais tempo no meio-campo ofensivo, mas apenas noutra ocasião criaram verdadeiro perigo, com o guarda-redes dos estorilistas a negar o empate a Jefferson Encada (37') — pelo meio, refira-se, Renan Ribeiro também tinha travado o tiro de Begraoui, após passe de Guitane.

E como um mal nunca vem só, mesmo em cima do intervalo surgiu mais uma (enorme) adversidade para João Nuno: Abraham Marcus foi expulso, após derrubar João Carvalho (sem bola) e os da casa ficaram reduzidos a 10 elementos.

Estava (ainda mais aberto) o caminho para a entrada triunfal do Estoril na segunda volta do campeonato. E se dúvidas houvesse, então o magie de Yanis Begraoui dissipou-as. O extremo franco-marroquino — que na última jornada da época passada já tinha apontado três golos ao... Estrela da Amadora (4-0), a 17 de maio de 2025, na Amoreira — disse oui à obra de arte de Carvalho e puxou a si os holofotes da exposição de pintura.

O spectacle do camisola 14 começou aos 51 minutos, na sequência da generosidade do criativo luso, teve continuidade logo a seguir, na transformação de um penálti (54') — falta de Otávio Fernandes sobre Ricard Sánchez —, e foi selado com chave de ouro aos 70 minutos, no seguimento de uma excelente jogada individual que redundou no hat trick. Por entre tanta magia, ainda houve tempo para o desvio certeiro de Alejandro Marqués (65'), após cruzamento certeiro do... capitão.

João Carvalho e companhia disseram a Begraoui: «Chapeau

A figura: Kikas (Estrela da Amadora)
No (mais do que provável) adeus à Reboleira tentou deixar a sua marca: o golo. Logo aos cinco minutos, e numa altura em que a sua equipa já estava em desvantagem, o capitão deu o mote e rematou de fora da área, fazendo com que a bola tirasse tinta ao poste esquerdo da baliza contrária. Mesmo depois da inferioridade numérica, tentou sempre remar contra a maré. Mereceu o tributo dos adeptos.
O melhor em campo: Yanis Begraoui (Estoril)
Três golos. O motivo mais do que óbvio para o destaque individual. O extremo franco-marroquino não deixou que, desta vez, João Carvalho (também faturou e fez uma assistência) recebesse a distinção. Mas não se pense que foi só a pontaria afinada que colocou o avançado dos estorilistas neste espaço. Porque Begraoui esteve sempre muito ativo na frente de ataque. Um verdadeiro quebra-cabeças.

As notas dos jogadores do Estrela da Amadora:

As notas dos jogadores do Estoril:

João Nuno (treinador do Estrela da Amadora)

A expulsão não explica tudo. Entrámos mal, sofremos um golo logo a abrir, e depois fomos o que temos vindo a ser e podíamos ter feito o empate. Após a expulsão, o jogo alterou, mas também cometemos erros claros que não podem acontecer.

Ian Cathro (treinador do Estoril)

Desde o início que demonstrámos a nossa intenção, entrámos com um bom ritmo. Obviamente que o golo cedo ajuda e que a expulsão tem um grande impacto no jogo. Controlámos, sem forçar, e isso mostra que continuamos no nosso crescimento.