Yanis respondeu (Begra)oui à obra de arte de Carvalho (crónica)
Chegar a casa do adversário, não pedir licença e assinar uma obra de arte? Sim, é possível. Foi o que fez João Carvalho. O golo (perdão, o golaço) do criativo português foi a melhor forma de o Estoril entrar na partida. Ainda não viu o momento, caro leitor? Então, aceite o conselho: minuto três. Não se vai arrepender, podemos garantir. Que saco, diz-se na gíria futebolística.
Foi, pois, à boleia da pincelada de classe do capitão que o emblema da Linha partiu para uma noite de amarelo bem vivo. Que qualidade!
E antes disso, refira-se, já Yanis Begraoui e Rafik Guitane tinham deixado um aviso a Renan Ribeiro.
Os tricolores tentaram a reação imediata à desvantagem e Kikas, aos 5 minutos, esteve perto do empate. O capitão — que deverá ter feito o último jogo pelos estrelistas, uma vez que a sua transferência para os belgas do Eupen (equipa orientada pelo português Bruno Pinheiro e que luta pela promoção à elite daquele país) está praticamente fechada — testou a meia distância, mas a bola saiu a rasar o poste esquerdo da baliza de Robles.
Essa situação embalou os estrelistas, que passaram a jogar mais tempo no meio-campo ofensivo, mas apenas noutra ocasião criaram verdadeiro perigo, com o guarda-redes dos estorilistas a negar o empate a Jefferson Encada (37') — pelo meio, refira-se, Renan Ribeiro também tinha travado o tiro de Begraoui, após passe de Guitane.
E como um mal nunca vem só, mesmo em cima do intervalo surgiu mais uma (enorme) adversidade para João Nuno: Abraham Marcus foi expulso, após derrubar João Carvalho (sem bola) e os da casa ficaram reduzidos a 10 elementos.
Estava (ainda mais aberto) o caminho para a entrada triunfal do Estoril na segunda volta do campeonato. E se dúvidas houvesse, então o magie de Yanis Begraoui dissipou-as. O extremo franco-marroquino — que na última jornada da época passada já tinha apontado três golos ao... Estrela da Amadora (4-0), a 17 de maio de 2025, na Amoreira — disse oui à obra de arte de Carvalho e puxou a si os holofotes da exposição de pintura.
O spectacle do camisola 14 começou aos 51 minutos, na sequência da generosidade do criativo luso, teve continuidade logo a seguir, na transformação de um penálti (54') — falta de Otávio Fernandes sobre Ricard Sánchez —, e foi selado com chave de ouro aos 70 minutos, no seguimento de uma excelente jogada individual que redundou no hat trick. Por entre tanta magia, ainda houve tempo para o desvio certeiro de Alejandro Marqués (65'), após cruzamento certeiro do... capitão.
João Carvalho e companhia disseram a Begraoui: «Chapeau!»
As notas dos jogadores do Estrela da Amadora:
Renan Ribeiro (4), Jefferson Encada (4), Luan Patrick (4), Bernardo Schappo (4), Otávio Fernandes (3), Alex Sola (4), Paulo Moreira (5), Abraham Marcus (3), Jorge Meireles (5), Ianis Stoica (4), Kikas (5), Guilherme Montóia (4), Jovane Cabral (5), Robinho (5), Alisson Souza (4) e Atanas Chernev (-).
As notas dos jogadores do Estoril:
Joel Robles (6), Ricard Sánchez (7), Kévin Boma (5), Felix Bacher (5), Pedro Amaral (6), Jandro Orellana (6), Jordan Holsgrove (6), Yanis Begraoui (8), Rafik Guitane (7), João Carvalho (8), Alejandro Marqués (7), Ferro (5), Antef Tsoungui (5), Pizzi (5), Peixinho (5) e Nodar Lominadze (5).
João Nuno (treinador do Estrela da Amadora)
A expulsão não explica tudo. Entrámos mal, sofremos um golo logo a abrir, e depois fomos o que temos vindo a ser e podíamos ter feito o empate. Após a expulsão, o jogo alterou, mas também cometemos erros claros que não podem acontecer.
Ian Cathro (treinador do Estoril)
Desde o início que demonstrámos a nossa intenção, entrámos com um bom ritmo. Obviamente que o golo cedo ajuda e que a expulsão tem um grande impacto no jogo. Controlámos, sem forçar, e isso mostra que continuamos no nosso crescimento.