O Bodo/Glimt acaba de afastar o Inter de Milão, somando um score de 5-2 nas duas eliminatórias - Foto: IMAGO - Foto: IMAGO

Sorteio amigo ou armadilha no gelo? Sporting encontra carrasco do FC Porto que humilhou... José Mourinho!

O destino sorriu em Nyon, mas... é um sorriso com dentes de gelo. O Sporting já conhece o adversário nos oitavos de final da UEFA Champions League 2025/2026 e, se no papel os grandes tubarões foram evitados, a realidade coloca os leões na rota da equipa mais perigosa do Norte da Europa: o FK Bodo/Glimt. Preparem as parkas, os leões viajam para lá do Círculo Polar Ártico para enfrentarem um conjunto que já provou não ter medo de gigantes portugueses ou de lendas do banco

Evitou-se o Real Madrid de Mbappé e recente carrasco do Benfica em play-off carregado de polémica, mas há perigos à vista. No sorteio realizado na manhã desta sexta-feira na sede da UEFA, a bola que carregava o símbolo do Sporting acabou por encontrar o Bodo/Glimt, a equipa sensação da Noruega que continua a desafiar as leis da lógica no futebol europeu e que será o adversário dos leões nos oitavos de final da UEFA Champions League.

Para os comandados de Alvalade, o duelo representa uma oportunidade histórica de chegar aos quartos de final, mas também um teste de sobrevivência num ambiente onde o relvado sintético e as temperaturas negativas costumam ser o 12.º jogador.

Nesta edição de 2025/2026, o Bodo/Glimt deixou de ser uma curiosidade para se tornar uma certeza. Na fase de liga, os noruegueses terminaram num impressionante 10.º lugar, somando vitórias caseiras contra Atlético de Madrid e AC Milan.

O modelo de Kjetil Knutsen — o mentor que recusa sair da Noruega apesar das constantes propostas de grandes ligas — mantém-se fiel ao 4x3x3 ultra-agressivo, assente numa pressão asfixiante e numa velocidade de execução que faz parecer que o jogo está a ser passado em fast forward.

A equipa chega a esta fase com o estatuto de melhor ataque entre as equipas fora do top-8, tendo feito do Aspmyra Stadion uma autêntica fortaleza inexpugnável. Para o Sporting, o desafio passará por controlar a vertigem ofensiva de um conjunto que não sabe especular o resultado.

FC Porto não resistiu ao poderio do Bodo/Glimt em 2024/25 - Foto IMAGO

Carrasco do FC Porto e pesadelo de Mourinho

Se há adeptos que olham para este sorteio com desdém, o passado recente serve de aviso sério. O futebol português ainda guarda as cicatrizes deixadas pelos noruegueses. Na época 2024/2025, na fase de grupos da Liga Europa, o Bodo/Glimt recebeu e venceu o FC Porto de Vítor Bruno por 3-2, num jogo onde a intensidade nórdica expôs as fragilidades defensivas dos dragões e silenciou as pretensões azuis e brancas.

Nessa mesma época, novo choque, desta vez na Pedreira, em Braga, de onde o Bodo/Glimt saiu com vitória por 2-1! À terceira, será de vez? Tem a palavra o Sporting...

Mas o grande cartão de visita que ainda hoje ecoa nos corredores da UEFA aconteceu em 2021. Na altura, na Conference League, o mundo do futebol parou para ver o impensável: o Bodo/Glimt humilhou a AS Roma de José Mourinho, hoje no Benfica, com uma goleada de 6-1. Foi a primeira vez que uma equipa treinada pelo Special One sofreu seis golos, num massacre tático que colocou o clube norueguês definitivamente no mapa.

Mourinho, na altura, admitiu a superioridade do adversário: «Têm mais qualidade do que nós pensávamos.? É este o ADN de uma equipa que não se encolhe perante os nomes ou os currículos.»

O que esperar dos ‘relâmpagos amarelos'?

O Sporting encontrará um adversário que joga de memória. O segredo do Bodo/Glimt não reside em estrelas individuais de classe mundial, mas num sistema coletivo onde cada peça sabe exatamente onde deve estar. O capitão Patrick Berg continua a ser o pêndulo no meio-campo, ladeado por jovens talentos escandinavos que usam a montra da Champions para dar o salto para a Premier League.

O fator campo será decisivo. Jogar em Bodo em pleno mês de fevereiro ou março é um exercício de resiliência. O relvado sintético, muitas vezes sob neve batida, acelera a bola de forma traiçoeira, algo a que os jogadores habituados ao conforto dos relvados naturais do Sul da Europa sentem dificuldades em adaptar-se.

Para o Sporting, a chave será a gestão emocional e a capacidade de ferir o adversário em transição, aproveitando a audácia ofensiva dos noruegueses que, por vezes, deixam as costas desguarnecidas. O favoritismo é verde e branco, mas o Bodø/Glimt já provou, por mais do que uma vez, que adora destruir favoritismos e escrever contos de fadas no gelo.

Os dados estão lançados. O leão terá de rugir mais alto que o vento do Ártico se quiser manter vivo o sonho de conquistar a Europa.