Donald De La Haye foi a inspiração para a nova modalidade. IMAGO
Donald De La Haye foi a inspiração para a nova modalidade. IMAGO

Desporto «mais burro do mundo» oferece milhares de euros mas já causou uma morte

Há uma nova modalidade viral na Austrália e na Nova Zelândia que está a causar alarme e até já obrigou o primeiro ministro neozelandês a vir falar do fenómeno que ofereceu 100 mil euros de prémio nas finais, mas já deixou uma família de luto

Uma nova modalidade de colisão, popular na Austrália e Nova Zelândia, está a gerar forte controvérsia devido aos seus riscos, tendo já provocado a morte de um jovem de 19 anos. Apelidado de «o desporto mais burro do mundo» por publicações como o The New York Post, o Run It Straight (RUNIT) consiste num confronto direto entre dois participantes que correm um contra o outro, vencendo quem se mantiver de pé após o impacto.

Apresentado pela sua liga oficial como «o novo desporto de colisão mais feroz do mundo», o RUNIT distingue-se pela ausência total de equipamento de proteção. As competições, que surgiram em 2025, oferecem prémios de dezenas de milhares de euros e ganharam enorme popularidade nas redes sociais, levando muitos adolescentes a replicar a prática de forma perigosa.

A modalidade combina elementos do futebol americano e do râguebi, mas sem as regras de proteção inerentes a esses desportos. Segundo especialistas, as colisões no RUNIT podem ter mais de cinco vezes a força de uma placagem de râguebi, o que levou a comunidade médica a tecer duras críticas.

A popularidade do RUNIT foi impulsionada pela RUNIT Championship League, uma empresa que descreve a modalidade como tendo «nascido para se tornar viral». O seu diretor-geral, Christian Lesa, conhecido como Charizma, revelou à ABC australiana que a ideia surgiu durante um período em que esteve hospitalizado a lidar com problemas de saúde mental. Lesa admitiu ter-se inspirado no youtuber e jogador de futebol americano Donald De La Haye Deestroying, que promovia duelos semelhantes para criar conteúdo viral.

O conceito rapidamente se espalhou da Austrália para a Nova Zelândia. Nas finais da liga, em junho do ano passado, o vencedor, Vulangi Olosoni, de 26 anos, arrecadou um prémio de cerca de 100 mil euros.

Contudo, a prática já teve consequências fatais. Em 2025, Ryan Satterthwaite, um jovem de 19 anos, morreu no hospital de Palmerston North, na Nova Zelândia, após sofrer um traumatismo craniano grave enquanto participava no jogo numa festa de aniversário.

O tio da vítima, Pete Satterthwaite, confessou à RNZ ter avisado o sobrinho sobre os perigos. «Ele já me tinha falado sobre isto, mas quando vi vídeos percebi que era apenas uma ideia estúpida. Fiquei com medo porque soube que alguém poderia ficar gravemente ferido. Eu avisei-o e nunca pensei que ele fosse jogar», lamentou, acrescentando: «O objetivo final é magoar o adversário, passar por cima dele. (...) Continua a ser a coisa mais estúpida que já vi».

As críticas estenderam-se à esfera política. Christopher Luxon, primeiro-ministro da Nova Zelândia, descreveu a prática como «uma coisa burra de se fazer» e apelou ao seu fim. «Estão a ouvir os conselhos da polícia, da comunidade médica, do governo, dos diretores das escolas a dizer para não o fazerem», declarou numa conferência de imprensa.

Em resposta aos apelos para a proibição, o ministro do Desporto neozelandês, Mark Mitchell, informou ter solicitado pareceres sobre medidas para reprimir o que classificou como «atividades não regulamentadas que representam um nível significativo de risco». No entanto, até ao momento, nenhuma ação concreta foi tomada.