Volkswagen vai acabar com a Seat
O Grupo Volkswagen pretende descontinuar a marca Seat até ao final da década, canalizando os seus recursos para a Cupra, que se tem revelado mais rentável e com maior volume de vendas. A decisão, que visa simplificar operações e reduzir custos, parece selar o destino da histórica marca espanhola fundada em 1950.
Segundo a imprensa económica alemã, a proposta para o fim da Seat já terá recebido a aprovação do conselho de administração da Volkswagen e aguarda agora apresentação ao comité de supervisão. O plano estratégico prevê que a Seat desapareça do portefólio do grupo até 2029, com os investimentos a serem concentrados na Cupra, a sua submarca de vocação desportiva que se tornou independente em 2018.
O sucesso comercial da Cupra é um dos fatores que justifica esta reestruturação. Em 2025, as vendas conjuntas da Seat e da Cupra atingiram 586.300 veículos, mas enquanto as entregas da Cupra cresceram 33%, as da Seat registaram uma queda de 17%. O objetivo da administração do Grupo Volkswagen é que a Cupra, sozinha, atinja um volume de vendas anual entre 500 e 600 mil unidades.
Um documento interno da Volkswagen, citado pelo semanário económico alemão WirtschaftsWoche, detalha o processo: «A marca Seat irá ser descontinuada de forma ordeira e eficiente até ao final de 2029, mantendo um apoio continuado aos clientes atuais e ao cumprimento das obrigações em vigor». O mesmo documento refere que a manutenção da Seat «iria obrigar a recursos adicionais» e que, sempre que possível, os produtos, operações de vendas e infraestruturas de produção serão transferidos para a Cupra.
O Grupo Volkswagen, por sua vez, não fez comentários oficiais sobre a decisão. Um porta-voz da empresa afirmou que os documentos internos são discutidos e aprovados pelos órgãos competentes e que não iriam «contaminar o processo».
Este desfecho, embora dramático para uma marca controlada pela Volkswagen desde os anos 80, já era antecipado. A Cupra, que começou como a linha de performance da Seat, foi sempre vista como a aposta prioritária da administração.