Viu a glória em Alvalade e recebe homenagem aos 40 anos (vídeo)
O guarda-redes do CSKA, Igor Akinfeev, comemora, esta quarta-feira, o 40.º aniversário, tendo dedicado 35 ao clube moscovita, onde construiu carreira notável, que não deixou passar a data em claro.
«Desejamos-lhe boa saúde, bem-estar familiar e vitórias! Continua a encantar os adeptos do exército com o teu magnífico jogo», pode ler-se na nota publicada pelo emblema de Moscovo.
Com uma carreira inteiramente dedicada ao mesmo clube, o percurso do guardião está repleto de sucessos, recordes e momentos inesquecíveis, como a defesa que o imortalizou no Mundial de 2018, nos penáltis, diante da Espanha.
A ascensão de Akinfeev foi meteórica. Durante um estágio do CSKA em Israel na pré-época de 2002/2003, uma lesão do guarda-redes principal, Veniamin Mandrykin, abriu uma oportunidade. Yuri Adzhem, então treinador dos jovens, sugeriu a Valery Gazzaev, técnico da equipa principal, que observasse o jovem talento. A resposta de Gazzaev foi imediata: «Quem é este que me trouxeste? Os meus avançados não conseguem marcar-lhe um golo, estão a perder a confiança.» A partir desse dia, Akinfeev, com apenas 16 anos, nunca mais deixou a equipa principal.
A estreia oficial aconteceu em março de 2003, contra o Zenit, para a Taça da Liga Russa, onde manteve a baliza a zeros. Dois meses depois, a 31 de maio, estreou-se na liga russa frente ao Krylya Sovetov, entrando como suplente e defendendo um penálti de Andrey Karyaka, internacional russo.
Palmarés recheado e glória europeia
Ao longo de 35 anos no CSKA, Akinfeev conquistou 23 troféus: foi seis vezes campeão da Rússia, venceu oito Taças e oito Supertaças e teve papel fundamental na conquista da Taça UEFA em 2005, vencendo o Sporting, em Alvalade.
Foi eleito o melhor guarda-redes do ano pela Federação Russa de Futebol (RFS) por cinco vezes e, em 2012, a Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) incluiu-o no top-15 dos melhores guarda-redes do século XXI. Tornou-se capitão de equipa em 2008, depois de ter usado a braçadeira pela primeira vez em 2004.
O «pé de Deus» e o adeus à seleção
Pela seleção russa, onde se estreou em 2004, somou 111 internacionalizações. Conquistou a medalha de bronze no Euro-2008 e chegou aos quartos de final do Mundial-2018, disputado em casa.
Foi nesse torneio que protagonizou um dos momentos mais icónicos da história do futebol russo. Nos oitavos de final, contra a Espanha, a eliminatória foi decidida nos penáltis. Akinfeev defendeu o remate decisivo de Iago Aspas com o pé, garantindo a passagem da Rússia à fase seguinte. A defesa ficou conhecida como pé de Deus, numa alusão à mão de Deus de Diego Maradona.
Após o sucesso no Mundial, anunciou o adeus à seleção. Nesse mesmo ano, foi um dos nomes mais pesquisados na internet e o jornal francês L'Équipe colocou-o no top-10 dos melhores guarda-redes do mundo.
Akinfeev detém múltiplos recordes no campeonato russo, incluindo o de mais jogos sem sofrer golos (mais de 160), mais penáltis defendidos (19), mais jogos disputados (mais de 600) e mais épocas na competição (23). Em novembro de 2025, foi inscrito no Livro de Recordes da Rússia pela carreira mais longa num só clube, com 35 anos ligado ao CSKA.
Contudo, o percurso também ficou marcado por um anti-recorde na Liga dos Campeões: entre 2006 e 2017, sofreu golos em 43 jogos consecutivos, superando a marca anterior de 16 jogos de Ronald Waterreus, do PSV.
A carreira do guardião também teve erros notáveis. Em 2010, num dérbi contra o Spartak, tentou aliviar uma bola com o pé e falhou, permitindo o golo adversário. No Mundial-2014, no Brasil, num jogo contra a Coreia do Sul, não conseguiu segurar um remate e deixou a bola entrar na própria baliza, o jogo acabou empatado (1-1).
Em 2011, sofreu uma grave lesão nos ligamentos cruzados do joelho após uma colisão com o avançado Welliton, do Spartak, tendo reagido de forma intempestiva ao lance.
Vida pessoal discreta
Akinfeev é conhecido por manter a vida pessoal longe dos holofotes. Em 2008, teve um relacionamento com Valeria Yakunchikova, filha de um administrador do CSKA. A relação, que parecia caminhar para o casamento, terminou de forma inesperada, com a imprensa a especular sobre uma alegada infidelidade por parte do futebolista.
A autobiografia do futebolista Igor Akinfeev, lançada a 6 de novembro de 2025, tornou-se rapidamente num dos livros mais vendidos na Rússia. Na obra, o guarda-redes partilha abertamente vários momentos da longa carreira, incluindo a saída da seleção nacional russa, que foi assinalada com um vídeo de apenas 16 segundos no ecrã do estádio.
Sobre esse episódio, Akinfeev escreveu: «Na altura, nem sequer fiquei ofendido. E de quem haveria de me ofender? Apenas pensei, mais uma vez, que tinha feito a escolha certa.»
O guardião casou-se em 2014 com a modelo Ekaterina Gerun, que conheceu em 2012. O casal, que optou por manter a relação resguardada da opinião pública desde o início, tem agora três filhos: um rapaz, Daniil, e duas raparigas, Agata e Evangelina.