Da saída de peso à «situação difícil» de ex-Benfica: o que esperar do St. Gallen
O St. Gallen carrega o peso da história. O clube mais antigo em funcionamento no futebol suíço nasceu a 17 de abril de 1879, a parcas dezenas de quilómetros da fronteira com Alemanha e Áustria. Em 147 anos de história, o clube do helvético conta com apenas cinco títulos de renome: dois campeonatos (1903/04 e 1999/2000), duas taças da Suíça (1968/69 e 2025/26) e uma taça da liga. (1977/78). Contam-se ainda três conquistas da segunda liga suíça (1970/71, 2008/09 e 2011/12).
Enrico Maassen foi o responsável pela última conquista do St. Gallen. Na segunda temporada ao serviço do clube, o técnico alemão guiou os espen até à vitória final na Taça da Suíça, a 24 de maio. O triunfo diante do Stade Lausanne (3-0), da segunda divisão, foi a cereja no topo do bolo de uma temporada de sucesso.
O St. Gallen terminou a liga suíça em segundo lugar, a cinco pontos do sensacional campeão FC Thun, embalado por um casamento entre pressão alta e verticalidade. Os 94 golos assinados em 44 jogos na temporada passada explicam as valências ofensivas uma equipa que ficou em branco em apenas quatro ocasiões.
Estabilidade, a palavra de ordem
Do onze que iniciou a final da Taça da Suíça, o St. Gallen perdeu apenas uma peça para a nova temporada. Alessandro Vogt, ponta de lança de 21 anos, rumou ao Hoffenheim após ter explodido na temporada passada: 18 golos e quatro assistências em 41 jogos. O clube alemão deixou mais de 2 milhões e meio de euros nos cofres do St. Gallen, que ficou sem o principal goleador.
Para colmatar a perda de Vogt, Andrin Hunziker, de 1,90m de altura, rumou ao adversário do Benfica, após ter marcado 12 golos ao serviço do Winterthur, por empréstimo do Basileia na temporada passada.
Enrico Maassen exaltou a qualidade novo avançado do clube em conversa com A BOLA: «É um avançado muito bom, físico, dois anos mais velhos. Considero que até é melhor que o Vogt dentro da área. É dois anos mais velho. O Vogt foi um jogador importante, fez coisas incríveis, mas agora está no Hoffenheim.»
O treinador do St. Gallen salientou a «excelente mentalidade e boa presença física» do ponta de lança suíço de 23 anos. «Espero que marque tantos golos como o Vogt no futuro», admitiu.
Além de Hunziker, o St. Gallen também se reforçou com Leon Frokaj antes dos duelos diante do Benfica. O médio de 21 anos formado no Basileia rumou ao clube após ter impressionado na temporada de estreia na liga suíça ao serviço do Aarau.
Enrico Maassen contou ainda como o regresso ao clube de vários jogadores que rumaram a outras paragens por empréstimo na temporada passada. O central Stephan Ambrosius esteve cedido aos alemães do Karlsruher, enquanto o extremo Kevin Csoboth representou os turcos Gençlerbirligi. A eliminatória contra o Benfica adquire um significado adicional para o internacional húngaro.
Do destaque no Benfica Campus à perda de espaço na Suíça
Kevin Csoboth representou as águias entre 2016 e 2021. Tudo começou aos 16 anos nos juvenis, sob o comando de Renato Paiva. O extremo impressionou com seis golos em 14 jogos nos primeiros meses de águia ao peito.
De João Félix a Nuno Tavares, não faltaram colegas de balneário de alto gabarito no caminho até à conquista do campeonato de sub-19, em 2018. A estreia pela equipa B teve lugar no ano seguinte, a 16 de fevereiro de 2019, no terreno do Varzim.
O médio húngaro disputou 18 jogos na Liga 2 ao longo de três temporadas, antes de deixar a Luz em 2021 rumo ao país natal. Épocas de alto nível ao serviço do Újpest FC, entre 2022 e 2024, precipitaram a convocatória para o Euro 2024 e o ingresso no St. Gallen no mesmo verão.
Csoboth assinou quatro golos e duas assistências em 42 na temporada de estreia na Suíça. Um dos tentos foi marcado diante do Vitória Sport Clube, a 12 de dezembro de 2024, no primeiro duelo do St. Gallen contra clubes portugueses. Seguiu-se uma temporada no Gençlerbirligi por empréstimo, em que realizou apenas seis partidas.
A experiência na Turquia esteve longe de convencer e o extremo regressou à base com o futuro incerto. Enrico Maassen admitiu que Csoboth vive uma «situação difícil» em St. Gallen, após um empréstimo em que «as coisas não correram bem». O reencontro com as águias no relvado é pouco improvável. O técnico revela que o internacional húngaro está a contas com «um pequeno problema físico».
As caras novas do St. Gallen para 2026/27, ainda assim, potenciam a profundidade de um plantel em que estabilidade é a palavra de ordem.