Viriato Sampaio aponta que o futuro deve passar pelo diálogo com a V Sports, afastando, por isso, a entrada de um novo investidor

Viriato Sampaio: «Fomos os primeiros a dizer que temos de nos sentar com a V Sports»

O candidato da Lista C fala da importância de reerguer a parceria com a V Sports e considera que «falar de um investidor nas atuais circunstâncias é enganar os associados»

Em entrevista a A BOLA, o candidato à presidência do Vitória de Guimarães, Viriato Sampaio, explicou por que motivo considera que, neste momento, com a V Sports «em casa», não faz sentido trazer um novo investidor para o clube.

- Porque é que diz que o investidor não é o caminho?

- Eu não digo que o investidor não é o caminho. Eu digo que não é neste momento. Porque, se o Vitória tem as contas como tem, não está na situação mais forte para poder negociar com um investidor. O que eu digo é que há outros caminhos. Nós recuperámos a maioria antes de António Miguel Cardoso. Neste momento, as quatro candidaturas têm a maioria para poderem negociar. Agora, a questão do investidor é a seguinte: um investidor pode ser bom para a nossa geração, para durante dez anos pôr muito dinheiro e dar-nos alegrias fantásticas durante esse período. Mas eu, como presidente do Vitória, tenho que pensar no Vitória a 20, 30, 40 anos, para que esteja cá nas mesmas condições. E nós temos muitos casos de clubes em que o investidor estava disponível para investir uns valores interessantes durante algum tempo, mas depois muitos desses investidores brincam ao futebol e, quando se lembram de sair desse registo, o clube é deixado ao acaso e volta para situações muito dramáticas. Não é isso que queremos para o Vitória. Se me disser assim: se no futuro, com as contas organizadas, tivermos um investidor que seja forte, podemos ponderar. Não sou dogmático quanto a isso, mas acho que neste momento temos um caminho mais certo, mais sólido e que faz mais sentido para o Vitória. Até porque quando respondemos a essa questão do investidor — e se for feita às outras candidaturas —, até podemos estar a enganar os associados a falar de um investidor quando temos um parceiro com 29% [V Sports] e com direito de preferência se algum outro investidor entrar. Quando se fala de entrar um investidor para comprar 16% da SAD... neste caso nem é da SAD, tem que pagar ao clube, mas depois como é que o clube — porque é o clube que é detentor —  vai pôr o dinheiro na SAD? Ninguém explica isso. Como é que alguém que tem 16% se vai entender com o Vitória e com um parceiro que tem 30%? Ou seja, se nós temos um parceiro que tem 29% e esta administração não tem tido grandes contactos com eles e tem tido dificuldade, pelo que nós sabemos não há grande diálogo, como é que ainda vão meter um outro parceiro, um outro investidor, e todos entenderem-se a bem do Vitória? A mim parece-me que não é o caminho, porque, se já com um, tem sido difícil, com mais um na equação mais complicado será. Na minha opinião, é um bocado enganar os associados falar de um investidor nas atuais circunstâncias.

- Falando da V Sports, qual vai ser o papel desse parceiro consigo?

- O Aston Villa ganhou a Liga Europa, ficou em quarto lugar na Premier League com acesso direto à Liga dos Campeões. Nós temos ali um parceiro que só pode aportar valor ao Vitória. Agora, é uma questão de diálogo, é uma questão de nos sentarmos à mesa e ver o que podemos fazer. Desde o início, fomos a primeira candidatura a dizer isto: temos a V Sports dentro de casa e temos de falar com eles, temos que arranjar a melhor solução. São negociações difíceis? Eventualmente são, mas é para isso que cá estamos, para fazer as negociações com a V Sports da melhor forma, a bem do Vitória. Só temos a lucrar. Uma coisa é eu ter que ir agora à procura de um parceiro e soluções, outra coisa é ter alguém que tem tido o sucesso desportivo que tem e não falar com eles, que é o que acontece.

- Acha que a falta de diálogo atual pode estar a prejudicar o Vitória?

- Não acho, tenho a certeza absoluta.

- Já falou do plano a dez anos para o Vitória. Se for eleito, o objetivo é cumprir esses dez anos à frente do clube?

- Assim os sócios queiram nas eleições seguintes e não haja nenhuma questão que me impeça e à minha equipa de continuar. Com certeza que sim, teria toda a honra.

- Que ideias extra finanças e extra futebol destaca do seu programa?

- Temos a questão social que temos algumas preocupações em termos sociais de o Vitória integrar um bocadinho as associações que Guimarães tem, aproximar mais o clube das associações, dos clubes de futebol das redondezas e que fazem parte do concelho. Temos questões com o estádio, que já falei, que acho que é muito importante. Falámos com a Câmara também, por exemplo, em termos de turismo, de incluir no roteiro de turismo de Guimarães, incluir o Vitória como um dos pontos em que possamos trabalhar melhor com a Câmara em relação a essa questão do turismo de futebol, que cada vez é mais proeminente. Há muitos turistas estrangeiros a visitar Guimarães e não levam o nome do Vitória ou às vezes pode não estar a ser tão divulgado como nós achamos que poderia ser, por exemplo.

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