Violência em Guadalajara lança alerta sobre segurança no México
A segurança para o próximo Mundial está em causa após violentos confrontos de rua terem eclodido em Guadalajara, uma das cidades-sede do torneio no México. A onda de violência foi uma retaliação pela morte de Nemesio Oseguera, conhecido como El Mencho, líder do cartel Jalisco Nova Geração, abatido pelo exército mexicano.
O que deveria ter sido uma manhã de domingo tranquila na segunda maior cidade do México transformou-se em caos. Autocarros e camiões foram incendiados, enquanto lojas, bancos e postos de gasolina foram atacados por assassinos contratados. Estes 'narcobloqueios' e atos de guerrilha urbana foram orquestrados por membros do cartel em resposta à morte do líder, ocorrida a sul de Guadalajara.
Na sequência dos confrontos, a cidade com 5,5 milhões de habitantes, apelidada de Perla Tapatia, tornou-se uma cidade-fantasma, mergulhada no pânico.
A situação levanta sérias dúvidas, tanto para o país como para a FIFA, sobre a viabilidade de realizar os jogos do Mundial no Estádio Chivas, com capacidade para 49 mil espectadores.
Recorde-se que Guadalajara tem agendados os jogos México-Coreia do Sul (18 de junho) e Espanha-Uruguai (26 de junho), além de um jogo da Colômbia contra uma seleção vinda da repescagem, a 23 de junho.
A preocupação aumenta ao considerar que a cidade, que já foi palco do Mundial de 1986, acolherá também jogos do play-off de qualificação já no próximo mês, incluindo o encontro entre a Nova Caledónia e a Jamaica, a 26 de março.
10 mil militares destacados
Como resposta à crise, o Ministério da Defesa mexicano destacou 10 mil militares para a região. No entanto, a instabilidade já afetou o desporto local, com o adiamento de quatro jogos dos campeonatos masculino e feminino no domingo.
Num incidente surreal durante o jogo Necaxa-Querétaro, as jogadoras fugiram para os balneários em pleno jogo após ouvirem o que pareciam ser tiros nas imediações do estádio, embora a federação tenha negado a ocorrência de disparos.
É difícil garantir que o México será um país seguro durante o Campeonato do Mundo
Apesar da situação, o jogo amigável entre México e Islândia, agendado para esta quarta-feira, em Querétaro, mantém-se. Contudo, a presença crescente do cartel Jalisco na região, a cerca de 350 quilómetros de Guadalajara, sugere que o selecionador mexicano, Javier Aguirre, será certamente questionado sobre o estado de alerta no país.
A preocupação com os turistas é evidente. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de França já emitiu um aviso aos seus cidadãos no estado de Jalisco, aconselhando «a maior prudência» e a permanecerem confinados. David Saucedo, consultor de segurança, expressou o seu ceticismo: «É difícil garantir que o México será um país seguro durante o Campeonato do Mundo».
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