'Se eu fosse'... era Bernardo Silva
Eu sei que é fácil, aqui sentado e sem a pressão própria de quem tem de decidir e planear, mas talvez o exercício valha a pena.
Se eu fosse Rui Borges colocava o lugar à disposição depois do jogo mais negro da história do Sporting. Não disfarcemos: perder a única de 85 finais da Taça de Portugal para uma equipa de escalão inferior não tem paralelo. Há muitas tardes e noites negras na história leonina, como na de qualquer clube do Mundo, mas daqui a 100 anos a de domingo será a pior, pelas razões expostas. E por isso, só por isso, se eu fosse Rui Borges perguntaria se ainda me querem.
Se, por outro lado, eu fosse Frederico Varandas, reiterava a confiança no treinador e apostaria na estabilidade, que pode ser meio caminho andado para o sucesso.
O presidente do Sporting já provou que não precisa de conselhos neste particular. Basta lembrar que segurou Ruben Amorim depois de um quarto lugar e todos sabemos quanto suspiram alguns, muitos, sportinguistas pelo treinador que revitalizou o hábito de ganhar em Alvalade.
Mesmo que Varandas não precise, Bernardo Silva, um dos protagonistas mais inteligentes do futebol atual, dá uma ajuda quando desvela o segredo de polichinelo de Guardiola: «Dá prioridade ao processo e não ao produto.»
É justamente aqui, na crença sobre o processo, que pode residir o segredo de grandes conquistas. Provavelmente não vão surgir sempre, mas se ele, o processo, for bom e estiver assente sobre bases minimamente sólidas — a começar pela segurança transmitida por quem pode e deve dá-la — há que deixá-lo correr.
Há quem ache, com toda a legitimidade que cabe às opiniões e aos seus opostos, que Rui Borges não é o treinador certo para o Sporting, que lhe falta ou sobra isto ou aquilo. Isso é outra discussão.
Se Frederico Varandas, presidente, entende que Rui Borges, treinador, é o homem certo, então o único caminho é o da continuidade. O futebol é demasiado mágico e aleatório para poder colocar-se tudo em causa por uma tarde menos feliz.
Também sabemos, porém, que o futebol vive de resultados, e eles aparecem todas as semanas, às vezes mais que uma vez por semana.
Se eu fosse gestor era Bernardo Silva, a olhar para o processo mais que para o produto. Mas o que vai acontecer no Sporting se a época 2026/2027 começar menos bem? Se for o habitual, será uma desilusão para quem brincou ao «se eu fosse».