Ángel Villacampa, treinador da equipa feminina do América - Foto: IMAGO

Caos no México afeta o futebol: «Estamos há dois dias sem sair do hotel»

Ángel Villacampa, treinador da equipa feminina do América, relata na primeira pessoa os constrangimentos motivados pela onda de violência gerada pelos cartéis

A onda de violência que se levantou perto de Guadalajara, na sequência da morte de El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), está a gerar constrangimentos de diversas ordens naquela zona do México, que já chegaram ao futebol.

Além dos jogos adiados da principal liga mexicana, o campeonato feminino não escapou incólume e Ángel Villacampa, treinador da equipa de futebol feminino do América, relatou na primeira pessoa a situação que deixou o histórico emblema da Cidade do México no olho do furacão.

Com a comitiva já instalada em Guadalajara, o América recebeu a notícia do adiamento do jogo com o Chivas horas antes do pontapé de saída. «Avisaram-nos de manhã que tínhamos entrado em alerta vermelho. Nem sequer podemos ir à receção do hotel. O jogo ficou suspenso e avisaram-nos: a prioridade é a segurança de todos», começou por relatar o técnico, citado pela Radio Marca.

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«Estamos bem e seguros, mas ainda não sabemos quando poderemos voltar. Disseram-nos que tudo terá de acontecer de forma segura e não necessariamente rápida. Não se vê ninguém nas ruas. Impressiona... Vês como toda a gente começa a correr e a desaparecer de um momento para o outro», prosseguiu Villacampa, numa descrição que mais parece saída de um cenário pós-apocalíptico.

«No início, parece tudo um exagero, mas quando te apercebes da magnitude ficas a entender... O clube transmitiu-nos tranquilidade e isso tem sido fulcral. Estamos há dois dias sem sair do hotel. Falar sobre futebol ajuda a limpar a mente», refere o homem do leme do América, explicando, ainda, que o encerramento do aeroporto de Guadalajara já interferiu com a chamada de algumas jogadores às respetivas seleções nacionais: «Ninguém vai sair daqui até que seja completamente seguro.»

Ángel Villacampa é espanhol e, no país natal, a família vai acompanhando a situação com apreensão. «De fora vive-se com mais angústia. As imagens impressionam, mas estamos seguros», assegura o treinador, de 49 anos. Numa altura de tanta confusão, o futebol acaba por ser o menor dos danos colaterais...