Pogacar e Vingegaard construíram uma rivalidade saudável. IMAGO
Pogacar e Vingegaard construíram uma rivalidade saudável. IMAGO

Pogacar lamenta queda de Vingegaard: «É muito triste, o Tour não será o mesmo sem ele»

Esloveno deixa no ar a hipótese de queda estar relacionada com a falta de sono provocada pela visita do controlo antidoping durante a madrugada

Tadej Pogacar, camisola amarela da Volta a França, levantou a hipótese de a queda do seu rival Jonas Vingegaard poder estar relacionada com um controlo antidoping a que o dinamarquês foi submetido de madrugada, o que poderá ter afetado o seu descanso e concentração.

O abandono de Vingegaard (Visma-Lease a Bike), de 29 anos, marcou a 15.ª etapa da 113.ª edição do Tour. O ciclista, que ocupava o segundo lugar da geral, caiu na parte final da tirada e foi forçado a desistir pela primeira vez numa grande Volta, na sua 10.ª participação.

O dinamarquês, campeão em título do Giro e da Vuelta, venceu o Tour em 2022 e 2023, tendo sido vice-campeão em 2021, 2024 e 2025, sempre atrás de Pogacar.

O esloveno da UAE Emirates não escondeu a tristeza pela saída do amigo. «É mesmo, mesmo triste, ver que o Jonas está fora. Desde 2021, batalhámos sempre pela vitória. Talvez no início não tivéssemos a melhor relação, mas nos últimos dois anos tornámo-nos bons rivais, adversários que se respeitam e penso que uma espécie de amigos. O Tour não será o mesmo sem ele», garantiu Pogacar.

O líder da prova sugeriu uma possível causa para o acidente. «Hoje, tivemos um controlo, no caso dele às 2h00 da manhã, e isso fez-me pensar que talvez esse também seja o motivo. Numa noite em que o teu sono foi arruinado, talvez estejas um pouco menos concentrado na descida. O Tour dele está estragado. Não culpo isso, mas pode estar relacionado», atirou o esloveno.

O próprio Vingegaard, à partida para a etapa, já tinha criticado a Agência Internacional de Testes (ITA) pela hora do controlo, lamentando que pudesse afetar o seu desempenho. Pogacar também foi controlado, mas às 5h00.

Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe), vencedor da etapa e novo segundo classificado da geral, partilhou do sentimento. «Ele estar fora é uma notícia mesmo má, em primeiro lugar para ele, e, depois, para a sua equipa e para a própria corrida. É algo que nunca se deseja a ninguém», afirmou o belga, que se mostrou, no entanto, feliz com a sua performance. «É fantástico. Agora, temos um dia de descanso, e um dia bonito na terça [contrarrelógio], onde tentarei ganhar novamente a etapa», acrescentou o duplo campeão olímpico.

A etapa, de 183,9 quilómetros entre Champagnole e Plateau de Solaison, viu também Isaac del Toro (UAE Emirates) subir ao pódio da geral. O jovem mexicano, que terminou em terceiro e assumiu a liderança da juventude, admitiu ter sido «incrível» ter Pogacar a trabalhar para si, apesar de ter sentido dores nas costas e na perna esquerda após ter estado envolvido na queda de Vingegaard.

Por sua vez, o francês Paul Seixas (Decathlon), de 19 anos, desceu para o quarto lugar da geral, mas mostrou-se satisfeito com o seu «bom rendimento», apesar de ter pago o esforço de recuperar de um furo no início da tirada. Já o espanhol Juan Ayuso (Lidl-Trek) terminou o dia desiludido, caindo para o sexto lugar da geral, a 7,28 de Pogacar, após perder mais de dois minutos para os da frente. «Estive muito mal. Estou um pouco decepcionado, mas falta uma semana e há que seguir em frente», declarou.

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