Verstappen arrasa novos monolugares: «Isto é Fórmula E com esteroides»
O tetracampeão do mundo Max Verstappen criticou duramente as novas regras, lamentando o excesso de gestão de baterias nos novos monolugares que impede a pilotagem no limite. O neerlandês compara mesmo a experiência a «uma Fórmula E com esteroides».
Verstappen não poupou nas palavras para descrever o seu descontentamento com as características dos novos monolugares de Fórmula 1. O piloto neerlandês queixa-se de que a pilotagem se tornou uma constante gestão de energia, o que retira o prazer de conduzir no limite.
«A palavra certa é gestão», afirmou o tetracampeão, explicando que a experiência ao volante já não é divertida. «Sinceramente, ao pilotar não é muito divertido. Sei que foi feito muito trabalho nos bastidores, também por parte das pessoas que fazem o motor, por isso não é a coisa mais agradável de se dizer. No entanto, tenho de ser realista e as sensações não são de F1», desabafou.
A comparação com outra categoria foi inevitável e contundente: «Parece uma Fórmula E com esteroides. As regras são iguais para todos, mas como piloto gosto de pilotar a fundo e, neste momento, não se pode fazer isso. Estão a acontecer muitas coisas e o que o piloto faz tem demasiado impacto na energia.»
Para Verstappen, a essência da competição está a ser desvirtuada. «Para mim, isto não é Fórmula 1. Para isso, é melhor pilotar um Fórmula E, que se baseia na eficiência e na gestão, foram feitos para isso. Embora eu vá pilotar sempre no máximo, o nível de emoção não é muito alto», lamentou.
O piloto de 26 anos admitiu mesmo que a sua carreira na categoria rainha do automobilismo poderá ser encurtada se o prazer de condução não regressar. «Nesta fase da minha carreira, não me importa ter um carro vencedor ou não, também tem de ser divertido. Exploro outras coisas fora da F1 nas quais me divirto e vamos ter estas regras durante alguns anos, por isso, logo se vê...»
O único aspeto que mereceu um comentário positivo foi a estética dos novos carros. «Gosto da decoração, o carro é fantástico e as proporções são boas, esse não é o problema. Mas tudo o resto é demasiado anticompetitivo», referiu, antes de concluir: «As pessoas não vão ficar contentes com o que estou a dizer, mas eu digo o que penso, não posso fazer outra coisa».
Numa reflexão final, Verstappen sublinhou que a velocidade máxima não é o mais importante, mas sim a forma como se alcança o desempenho. «É-me indiferente se o carro vai a 350 ou a 300 quilómetros por hora, quero pilotar de forma normal, como deve ser, sem ter de travar um pouco antes, mais ou menos, ou usar uma mudança acima ou abaixo, porque isso tem um impacto enorme no desempenho em reta», explicou, apontando ainda a falta de aderência como um problema. «É um grande passo atrás em comparação com o que tínhamos.»