Desde que assumiu o comando técnico do Sporting, Rui Borges enfrentou sempre limitações de escolha no plantel face a lesões - Foto de Miguel Nunes
Desde que assumiu o comando técnico do Sporting, Rui Borges enfrentou sempre limitações de escolha no plantel face a lesões - Foto de Miguel Nunes

«Vencer Taça com o Torreense é 'poucochinho' para esta época»

Empate na Vila das Aves deixou Sporting a não depender de si para assegurar 2.º lugar no campeonato. Augusto Inácio, antigo treinador campeão em Alvalade, abordou alguns pontos nevrálgicos da temporada

Da luta em três frentes a uma reta final de temporada que pode terminar de 'mãos a abanar'. O empate do passado domingo, na Vila das Aves, a um golo, diante de adversário que já estava condenado à descida, deixou o Sporting a não depender de si para terminar o campeonato na 2.ª posição e, consequentemente, garantir presença na próxima edição da Liga dos Campeões, um duro golpe nas aspirações dos verdes e brancos.

A BOLA falou com Augusto Inácio, antigo treinador dos leões que se sagrou campeão nacional em 1999/2000, que apontou algumas imperfeições na gestão feita para atacar Liga, Champions e Taça de Portugal.

«Não estamos lá no dia a dia para a treinos e índices do GPS para que o treinador possa treinar consoante os valores que tem, mas, olhando para aquilo que foram os jogos que assistimos, diria que os jogadores foram muito sobrecarregados neste último mês. Só para dar um exemplo, o FC Porto apostou claramente no campeonato, toda a gente vê isso, só não vê quem é cego. Jogou com uma equipa totalmente diferente na Taça de Portugal e na Liga Europa. Na Taça de Portugal, em Alvalade, o FC Porto mudou oito jogadores dos considerados titulares, oito! Perdeu por um e deixou a eliminatória em aberto. Na Liga Europa com o Estugarda, o FC Porto colocou, também, sete jogadores diferentes. Quando era a melhor equipa, aqueles que têm jogado mais vezes, jogava no campeonato. O Sporting, por sua vez, jogou sempre, praticamente, tirando um ou outro jogador, com a mesma equipa, nos jogos com FC Porto, Benfica, Arsenal. Foi sobrecarga atrás sobrecarga», realçou.

Augusto Inácio durante o Toque de Bola
Augusto Inácio em A BOLA

Persiste problema das lesões

O antigo treinador leonino abordou, ainda a questão das lesões, um problema que começou antes da era Rui Borges.

«Sob pena de Rui Borges me pode dizer que não fez mais rotação porque tinha muitos jogadores lesionados, entra-se aqui num outro problema. Então, por que é que há tantas lesões e tanta demora na recuperação dos jogadores? E aqueles que recuperam quando voltam ao campo, caem logo outra vez? Como foi o caso de Ioannidis e outros jogadores. Aqui há qualquer coisa que não correu bem, não bateu certo, mas o Rui Borges, com aquilo que tinha, o que é que podia ter feito mais alguma coisinha? Era quando o Sporting estava mais por cima do jogo, a ganhar, não tirar os jogadores mais cedo do campo», sublinhou.

«Rui Borges só tem, praticamente, um ponta de lança, Ioannidis está lesionado. Olhando para aquilo que é o horizonte do Sporting, que é estar em todas as frentes e combatê-las, nenhum clube grande pode ter só dois pontas de lança. Tem de ter, pelo menos, três», acrescentou.

Mercado de inverno fraco

Augusto Inácio aponta, também, o dedo a uma fraca abordagem no mercado de transferências de inverno: «O Rui Borges foi dizendo que a Champions era o campeonato do clube, mas eram sempre os mesmos a jogar. Talvez não tivesse plantel tão profundo como, se calhar, poderia ter tido, se em janeiro a administração tivesse tido intervenção mais forte. Quenda estava lesionado, Pote estava com problemas, o Alisson, que podia fazer falta, foi para o Nápoles, um jogador que já estava integrado, identificado com as dinâmicas da equipa e a dar provas, foram buscar vai buscar o Faye, que custou seis milhões de euros e nem ao banco vai», afirmou.

Quanto ao que ainda pode 'salvar' a época, o antigo treinador é perentório: «Muito sinceramente, vencer a Taça de Portugal com o Torreense é poucochinho para esta época.»

E em relação à tão falada renovação de contrato do treinador leonino, Augusto Inácio diz não entender: «Rui Borges tem contrato até 2027 e, sinceramente, acho que deve continuar, depois logo se vê. O Roger Schmidt foi campeão no Benfica, renovou logo contrato e passados quatro meses estavam a despedi-lo, e tinha mais de um ano de contrato.»