Rui Borges vai falhar o tricampeonato enquanto favorito — Foto: IMAGO
Rui Borges vai falhar o tricampeonato enquanto favorito — Foto: IMAGO

O 'My Way' ferido de Rui Borges

A Taça, que ainda precisa de ser conquistada, não apagará o cinzento do céu dos sportinguistas. O mundo sabe que o leão está quebrado, sem forças e arrisca falhar até a Champions

A imagem que fica é a de um leão quebrado, na vontade e na força, a arrastar-se penosamente até ao final. Um Sporting que vê o grande rival aproximar-se e não consegue reagir, por não ter forças e por não acreditar ter ainda forças, ideias apenas semelhantes. Porque não o são.

O Arsenal foi uma fatalidade e aplaudiu-se ao se ir para lá do limite. O equilíbrio, o cair por um bocadinho assim. O Benfica ameaçava possível lotaria, tal a força de ambos e a maior frescura no adversário. Caiu para as águias, podia ter caído para qualquer dos lados. O Dragão assumia-se como palco da inevitabilidade, não fosse Rui Silva resgatar a si próprio um último fôlego e Froholdt falhar o encontro com o destino naquele cabeceamento por cima de uma baliza vazia, com a final da Taça no horizonte. E Aves, depois de tanto, um calvário ainda mais íngreme, onde esperava a Lei de Murphy. E, sempre no final, aquele discurso. «Tentámos, mas não conseguimos. Estou muito orgulhoso dos meus jogadores.» Derrotado no tom, fatalista, mensagem que não motiva. Rui Borges precisa mudar. O «Manto Verde» que lançou quer reinventar nova teoria da conspiração? Se quer, falhou também aí pela falta de força.

O Sporting era o favorito à entrada para a nova época. Bicampeão. Atrás do tri. Borges queria que fosse à sua maneira, o que é legítimo. O FC Porto vinha de nova revolução, que tudo abanara. Precisava de tempo, mas ganhar em Alvalade deu-lhe solidez precoce. O Benfica vivia, como vive há anos, no seu mundo, sem liderança, porém teve Mourinho. E mesmo um Mourinho a lutar contra si próprio em certos momentos foi capaz de ir atrás e apanhar o leão. Feriu-o, deixou-o fraco e agora está, a três jogos do fim, perto de lhe roubar a presença nas eliminatórias da Champions. E reforçar um ego especial.

Ainda há pouco ecoava a notícia de um novo contrato para Rui Borges. Mas hoje, a imagem do treinador não é a mesma. Está tão ferido como o seu leão.

Rui Borges mereceu chegar a um grande. Depois de ter reequilibrado a equipa após o adeus de Amorim e conquistado o título mereceu prosseguir. Nem de propósito, tal como O Mundo Sabe Que é uma versão de My Way de Sinatra, também é justo que queira ganhar à sua maneira.Os leões jogaram bom futebol. Foram candidatos. E ainda têm a Taça, para diluir o cinzento que pinta agora o seu céu, mas a temporada não acaba bem. O técnico garante competitividade, mas isso não chega. Também terá de crescer.