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Mundial: Donald Trump e sua quadrilha
O Mundial só começa hoje mas sucedem-se casos que traduzem bem os tempos sombrios que vivemos e não por acaso todos a acontecerem nos Estados Unidos, terra de liberdade agora condicionada pela ação dum presidente que tem a sensibilidade dum calhau e que transforma aquela que era tida como a democracia mais sólida num estado a caminhar para o autocrático, se não chegou já a esse destino outrora impensável.
O Mundial do Canadá, do México e dos Estados Unidos (escrevo assim por essa ordem não por ter algo contra o país, que admiro pela grandeza, liberdade, diversidade e pelo contraste, mas deixo-o para último como posição contra quem o governa, alguém desumano, egoísta e já não sei se louco…) ainda não começou e os ecos que chegam de um dos países organizadores já o tornam único.
Considerado o melhor árbitro africano da atualidade, Omar Artan vai falhar o Mundial por lhe ter sido recusada a entrada nos Estados Unidos pelas autoridades norte-americanas no aeroporto de Miami, submetido a interrogatório de 11 horas. Sendo a Somália o seu país de origem, Artan está abrangido pela proibição de entrada de cidadãos daquela nacionalidade naquele país co-organizador do Campeonato do Mundo. A organização ainda tentou reverter a situação recorrendo a um passaporte diplomático, mas o documento foi rejeitado.
Antes do jogo de preparação contra os Países Baixos, a comitiva do Uzbequistão, que integra o grupo de adversários de Portugal, foi surpreendida por uma inspeção de segurança. Toda a equipa teve de entregar as mochilas pessoais, que acabaram amontoadas pelas autoridades para serem controladas e vistoriadas por cães.
O Irão vai realizar o seu estágio no México, embora jogue toda a fase de grupos nos Estados Unidos, medida a que não é alheio o facto de os dois países estarem em conflito. Entretanto, a federação do Irão acusa os Estados Unidos de impedirem a venda de bilhetes a adeptos iranianos, o que constitui uma violação da regra da FIFA que assegura a cada federação o direito a 8 por cento da lotação dos recintos.
A Associação Internacional de Imprensa Desportiva pediu a intervenção da FIFA devido aos obstáculos na atribuição de vistos americanos a jornalistas acreditados para o Mundial 2026, afetando maioritariamente profissionais africanos e iranianos. A associação de imprensa sublinha o impacto dos vistos de entrada única, que impedem os jornalistas de regressar aos EUA caso se desloquem ao México ou ao Canadá para a cobertura dos jogos das suas seleções.
A poucas horas do início do Mundial, a política migratória de Trump e sua quadrilha põe em causa aquilo que a FIFA tanto gosta de propagandear, a universalidade e união entre os povos. Mas quem se pode admirar quando à frente do organismo está um indivíduo que em dezembro, por alturas do sorteio do Campeonato do Mundo, foi lamber as botas do presidente americano e até inventou um prémio da paz para o senhor poder exibir à falta do Nobel. Se o da estupidez existisse candidatos não faltariam…
Apesar de tudo, que comece o jogo e que no dia 19 de julho Cristiano Ronaldo levante a taça. Mas que pense na figura que fez ao ir à Casa Branca em novembro e desta vez afaste Trump dos holofotes, é que não seria a primeira vez que a figura se recusaria a sair do meio dos jogadores, qual emplastro, a levantar um troféu mundial…
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