Vantagem sobre os rivais? «Temos de estar com o estômago vazio», diz Farioli
Francesco Farioli abordou a nova época 2026/2027 com a clareza de quem sabe que o sucesso passado não garante o futuro. Questionado sobre a vantagem teórica do FC Porto face às mudanças de treinador no Benfica e às profundas alterações no plantel do Sporting, o técnico italiano rejeitou favoritismos antecipados e sublinhou que a contagem é reiniciada para todos.
«Diria que começamos do zero novamente. O que está feito, está feito. Acho que a lição da época passada tem de ser um alerta forte para nós porque, quando aqui cheguei, ninguém podia esperar que fôssemos tão rápidos a alcançar o que alcançámos. Isto é a prova de que, no futebol, se trabalhares bem e fores capaz de ligar os pontos de uma certa forma, podes compensar uma possível desvantagem. Por isso, na realidade, hoje acredito verdadeiramente que todos começamos do zero. O que alcançámos já faz parte da nossa história, o troféu está no museu, e hoje temos, obviamente, uma responsabilidade extra por abordarmos a época como campeões. »
Acho que a lição da época passada tem de ser um alerta forte para nós porque, quando aqui cheguei para começar ninguém podia esperar que fôssemos tão rápidos a alcançar o que alcançámos
Sobre a diferença de mentalidade entre a época passada — onde foi necessário sarar feridas com rapidez — e a atual, Farioli explicou que o conhecimento profundo do plantel permite acelerar processos, mas traz também novos perigos, como o excesso de confiança.
«O facto de já termos um ano de trabalho conjunto é uma vantagem porque conhecemos os jogadores detalhadamente e podemos acelerar mais do que fizemos na época passada. Mas, por outro lado, há sempre o desafio de manter os padrões elevados e de aumentar o nível. Quando conheces alguém tão bem, existe o risco do 'piloto automático' e isso é algo que queremos mesmo evitar. Por isso, começámos do zero no conceito. Era importante para nós, nesta primeira parte, voltar ao básico, realmente ao básico, para depois construirmos o nosso processo e acrescentar coisas novas que serão importantes para a nova temporada», destacou.
Para o treinador, a chave do sucesso para 2026/2027 passa por recuperar a humildade e a fome de quem ainda não conquistou nada, honrando a identidade histórica do clube.
«Neste momento, o FC Porto tem de estar com o estômago vazio, com o desejo de comer novamente, porque o que ganhámos já não está lá. É normal termos esta responsabilidade extra, mas temos de ter o mesmo espírito de 'underdog', o espírito de uma equipa que quer lutar e aceitar o desafio, porque esta é a nossa força, o nosso ADN e é o que o FC Porto é historicamente. É o que faremos novamente esta época. »
O técnico falou ainda sobre o primeiro jogo oficial da época, contra o Torreense, para a final da Supertaça: «A Supertaça, de certa forma, vai ser o capítulo final da época passada porque, claro, para a alcançar temos de ganhar algo na época anterior. Mas, depois disso, tudo o que esteja relacionado com a época 2025/26 terá acabado. Por isso, agora o foco está lá: tentar ganhar o troféu contra um adversário que já provou a sua capacidade de fazer magia, pela jornada que fizeram e pela capacidade que tiveram de bater um adversário muito forte numa final. Temos de estar prontos para isso e, uma semana depois da Supertaça, estaremos numa corrida onde enfrentaremos adversários que vão estar muito motivados para passar por cima de nós.»