Thomas Muller e companheiros celebram triunfo sobre os Colorado Rapids no passado dia 25 - Foto: IMAGO

Vancouver Whitecaps: sucesso no relvado não trava ameaça de mudança para os Estados Unidos

Equipas apresenta seis vitórias e apenas uma derrota na atual edição da Major League Soccer

O futebol pode ser cruel e o negócio de que faz parte ainda mais. Em Vancouver, os Whitecaps vivem um autêntico paradoxo. No relvado, a equipa brilha na MLS com um registo impressionante de sete vitórias e apenas uma derrota em 2026. Com a estrela alemã Thomas Müller a liderar as operações, o clube afirmou-se como um dos candidatos ao título.

A paixão dos adeptos é visível e mensurável. O clube leva 19 jogos consecutivos a colocar mais de 20 mil pessoas nas bancadas. Contudo, o apoio massivo pode não ser suficiente para garantir a sobrevivência da equipa em solo canadiano. O problema não é o desporto, mas sim a frieza dos números e a falta de infraestruturas próprias.

A raiz do problema reside no contrato de utilização do BC Place. Apesar das enchentes, os Vancouver Whitecaps recebem apenas 12% das receitas de bilheteira. Esta percentagem coloca o emblema no fundo da tabela de geração de receitas da liga norte-americana. Para agravar a situação, o contrato com o estádio termina no final desta temporada e não há novo acordo à vista.

Sem um estádio próprio e com as contas sob pressão, o clube está à venda desde dezembro de 2024. Segundo informações que circulam no mercado e acompanhadas por publicações de referência como o The Athletic, o cenário de uma relocalização para os Estados Unidos ganha força a cada dia que passa.

INVESTIDORES NORTE-AMERICANOS À ESPREIRA

A fragilidade da permanência em Vancouver despertou o interesse de vários consórcios norte-americanos. Grupos de investidores de cidades como Las Vegas, Phoenix, Indianapolis e Sacramento estão a monitorizar de perto o processo de venda. O objetivo é claro: adquirir o clube e transferir a licença para uma destas metrópoles nos EUA.

Caso esta mudança se concretize, será a primeira relocalização de um clube da MLS desde 2006. Para os habitantes da cidade, o trauma é real e recorda a saída dos Vancouver Grizzlies, da NBA, que também gozavam de grande popularidade antes de abandonarem o Canadá.

Os adeptos não aceitam o destino traçado nos gabinetes. Recentemente, as ruas de Vancouver foram palco de marchas de protesto sob o lema «Hands off our team» (Tirem as mãos da nossa equipa). Foi oficialmente lançado o movimento Save The Caps, que tenta pressionar as autoridades locais e os proprietários a encontrar uma solução de viabilidade.

O relógio não pára. O prazo limite para um entendimento com a cidade de Vancouver termina a 31 de dezembro de 2026. Se não houver fumo branco até lá, a temporada de 2027 poderá marcar o fim do futebol da MLS em Vancouver, deixando o Canadá com uma representação mais pobre no principal escalão do futebol norte-americano.