Foto: Miguel Nunes
Foto: Miguel Nunes

Benfica, Sporting, FC Porto e mais — não está na hora?

'A Bola é Redonda' é o espaço de opinião quinzenal do jornalista Nélson Feiteirona

As últimas semanas no futebol português voltaram a ser marcadas por provocações, mais ou menos disfarçadas, entre os líderes dos principais clubes. Nada de novo, portanto. É natural que presidentes de Benfica, Sporting e FC Porto discordem em temas de fundo que possam contrariar aquilo que entendem ser o melhor para os clubes que dirigem, que debatam e lutem para defender os respetivos direitos.

O que é incompreensível é a insistência em prejudicar aquele que é, afinal, o produto do negócio: o próprio futebol. Há problemas, claro que os há, e não são poucos nem de pouca dimensão. A falta de consciência em algumas tomadas de posição, porém, serve apenas e só — assim parece, pelo menos — para acicatar, provocar e alimentar os adeptos com mensagens que vão exatamente na direção contrária à ideal.

Rui Costa, presidente do Benfica, recusou, e muito bem, comentar as palavras de Frederico Varandas sobre a contratação de João Palhinha — a meu ver, deselegantes, sobretudo para o jogador, quando retira crédito ao valor da contratação pelo facto de o internacional português ter 31 anos.

Não faltam, no entanto, exemplos de presidentes a atacar presidentes, presidentes a bater de frente com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, respostas, comunicados, newsletters oficiais, gravações «filhas de pai incógnito» divulgadas na praça pública, suspeitas relacionadas com árbitros e cúpula dirigente ainda antes do início da nova época… é realmente demais.

Os adeptos desconfiam — na realidade sabem, mesmo que não o possam confirmar —, mas seria preciso tornar tão claro que no futebol nacional se joga quase tanto fora do campo como dentro dele?

Claro que desconheço, e desconhecemos, argumentos, dados importantes e fatores que influenciam, determinam e justificam modos de atuação, mas numa altura em que o foco deveria ser melhorar todo o contexto do futebol nacional, o que prometeu a antecâmara e o arranque de 2026/27 é… mais do mesmo. Os estádios melhoraram? Não. Os relvados? Não. As condições para potenciar as transmissões e o benefício do espetáculo deram passos em frente? Não me parece. Remodelações de quadros competitivos, uma ou outra ideia, mas de concreto a Liga portuguesa inicia uma nova temporada com nada de inovador para oferecer ao público — além da quantidade de caras novas nos plantéis e da expetativa de competição e esperança na conquista de títulos — e carregada com os mesmos defeitos.

O ar fresco que se adivinhava com presidentes novos e jovens, em clubes e instituições, discursos mais arejados, a promessa de uma nova direção para a liga nacional, temo não passará disso mesmo. Para quando a noção de que pode mesmo haver rivalidade e, ao mesmo tempo, uma consciência do bem maior?

Está mais do que na hora de os principais atores — e, já agora, não ficaria mal ao Governo assumir a liderança deste processo — se sentarem na mesma mesa e definirem uma estratégia além dos respetivos umbigos. E nem me chocaria se convidassem a Cindy Crawford e a Angelina Jolie para se sentarem e ficarem só ali, a olhar e sem precisarem de falar, como aquele anúncio de Brad Pitt a uma plataforma financeira. Certamente o tom da discussão passaria a ser mais ponderado e amistoso.

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