Um Mundial de novas oportunidades
Um Campeonato do Mundo é uma competição única e, por norma, emocionante. Este ano, pela primeira vez, o formato passa a incluir 48 seleções. Uma alteração que continua a gerar opiniões diferentes, mas que também traz novas histórias e novos protagonistas. Ao longo deste Mundial, já houve vários exemplos que ajudam a perceber o impacto que este novo formato pode ter.
Noruega – união
Nem todos têm a oportunidade de participar num Mundial de seleções. Os mais experientes olham para esta competição de uma forma diferente daqueles que vivem esta experiência pela primeira vez. Neste aspeto destacam-se algumas seleções, não só pelo que fazem dentro do campo, mas também pela forma como os seus adeptos vivem este momento fora das quatro linhas. A Noruega é uma das seleções que melhor representa o espírito desta competição. Dentro do relvado, joga com um sorriso nos lábios. Essa atitude reflete-se na forma como a equipa aborda os jogos. Apesar de contar com jogadores experientes, como Odegaard ou Haaland, a realidade é que todos demonstram estar felizes por marcar presença. O selecionador promove um forte espírito de grupo, onde todos se sentem importantes, como ficou provado no jogo frente à poderosa França. O futebol praticado é apelativo e organizado. A ligação aos adeptos sente-se em cada jogo. Depois de 28 anos, a Noruega está novamente presente numa grande competição. Desportivamente, a Noruega tem demonstrado qualidade e elevado as expetativas. Fora dos relvados, a forma como os seus adeptos se comportam é incrível. A celebração a remar, como se estivessem num barco, já corre o mundo. Seja nas escadas rolantes, seja no metro, sejam jovens ou idosos, a alegria e a forma como celebram tornaram-se uma imagem de marca deste país.
Cabo Verde – paixão
Cabo Verde estreou-se este ano nesta competição. Quem vê esta seleção jogar percebe o orgulho e a emoção que os jogadores carregam em cada jogada e em cada disputa de bola. Representam um povo que vive a seleção com enorme orgulho. O facto de a FIFA ter alargado o Mundial a mais seleções faz com que mais países tenham a possibilidade de viver uma experiência única. Todos sabemos que, para os jogadores, esta é uma oportunidade para se mostrarem e progredirem nas suas carreiras. Isso é comum a todos os presentes, mesmo aos mais conceituados. Contudo, quando vemos Cabo Verde em campo parece haver algo mais, algo que muitas vezes não encontramos em seleções com maior estatuto: uma enorme paixão e responsabilidade por representarem o seu país ou o país dos seus ascendentes, bem como uma forte união dentro do grupo. Estes ingredientes são fundamentais para que seleções de menor dimensão consigam equiparar-se a adversários com mais capacidade. A outra parte passa pela componente desportiva. É perfeitamente visível a evolução tática e estratégica que seleções como Cabo Verde têm vindo a demonstrar. Este é o primeiro de muitos passos que todos os cabo-verdianos querem dar. Para que esse crescimento seja consistente, é importante que o planeamento da Federação Cabo-Verdiana continue a evoluir, que os jogadores mantenham a paixão por representar a sua seleção e que todos tenham a perceção de que ainda há muito para crescer. Por fim, há dois pontos que podem fazer a diferença no futuro. O primeiro é que esta prestação será fundamental para atrair mais jogadores nascidos fora de Cabo Verde e que não tenham dúvidas em representar esta seleção. O segundo passa por uma correta gestão das expetativas. A partir de agora, todos vão querer mais e todos terão de estar preparados para corresponder às ambições criadas dentro do relvado.
Equador – acreditar
Para se ter sucesso em qualquer área é determinante acreditar nas nossas capacidades. O desporto dá-nos vários exemplos de que as surpresas acontecem quando menos esperamos. O Equador é um bom exemplo. Perdeu um jogo equilibrado frente à Costa do Marfim. Empatou injustamente contra Curaçau. À entrada para o último jogo, frente à Alemanha, as possibilidades de passar à próxima fase pareciam remotas. A verdade é que o Equador acreditou sempre em si próprio. Mesmo depois de estar a perder frente à Alemanha, não baixou os braços. Continuou a lutar e a acreditar que o impossível podia ser alcançado. Com união, vontade e competência conseguiu virar o jogo e carimbar a passagem à próxima eliminatória. No jogo menos provável, apareceu a ponta de sorte que tinha faltado nos dois anteriores. Analisando o percurso da equipa, não tenho dúvidas de que o Equador chega justamente à próxima fase.
Recordes... novos tempos
Messi tornou-se no melhor marcador de sempre em Mundiais. Tenho a convicção de que esse recorde vai ser batido por outros jogadores. Mbappé, por exemplo, está muito próximo e ainda tem muitos anos de carreira pela frente. O novo formato do Mundial, com 48 seleções, dá vantagem aos jogadores da atualidade. Por um lado, podem disputar mais jogos. Por outro, na fase de grupos poderão encontrar adversários mais acessíveis e jogos menos equilibrados. Em conjunto, estas duas condições fazem com que os golos possam surgir com maior facilidade. Os números são importantes, mas a verdade é que é difícil comparar realidades tão diferentes como a atual e aquelas que outros grandes craques viveram no seu tempo. Percebo quando se comparam jogadores ou os números que alcançaram. Da minha parte, prefiro concentrar a minha atenção noutros aspetos e não posso deixar de estar muito satisfeito por ter tido a oportunidade de ver tantos e tão bons jogadores ao longo dos últimos 30 anos. Como adepto de futebol, sinto-me um privilegiado por ter visto Maradona, Matthaus, Romário, Bebeto, Roberto Baggio, Roberto Carlos, Maldini, Buffon, Ronaldo fenómeno, Luís Figo, Zidane, Ronaldinho Gaúcho, Messi e Cristiano Ronaldo, entre muitos outros. Os recordes continuarão a ser batidos, até porque o futebol está em constante evolução. Mas o verdadeiro privilégio é poder dizer que vi jogar alguns dos melhores de sempre.
Demonstrou muita qualidade e capacidade nos três primeiros jogos. Assumiu-se como verdadeira candidata ao título.
A prestação da seleção orientada pelo italiano Vincenzo Montella no Mundial foi uma desilusão.