Um início importante
1- Estratégia defensiva
O Moreirense revelou nos primeiros minutos de jogo um bloco médio-baixo. Contudo, toda a estratégia planeada durante o microciclo semanal não foi concretizada, pois, através de um esquema táctico ofensivo, o Sporting chegou à vantagem logo aos dois minutos de jogo. As principais contraindicações para utilizar esta estratégia de espera contra o Sporting foram:
1) a capacidade de resposta do conjunto leonino à perda da posse de bola – quer pelo posicionamento quer pela coordenação coletiva;
2) possibilitar ao Sporting desenvolver o seu processo ofensivo sem incidência nos duelos até zonas de criação – sem desgaste físico, aqui a frescura mental promove tomadas de decisão com maior acerto.
Outro dos aspetos que foi possível identificar foram as transições ofensivas do Moreirense, sem condições vantajosas em termos numéricos e espaciais – adicionalmente à falta de resposta quando existe a perda imediata da posse de bola, com o setor médio muito afastado da estrutura proximal da bola.
2- Variar o àngulo de ataque
Rúben Amorim identificou e explorou bem a variação do ângulo de ataque (corredores laterais), visto que o Moreirense alternou a sua organização dinàmica – em fase defensiva – com 4 ou 5 jogadores, com um dos extremos a fechar o corredor. O segundo golo surge precisamente num aproveitamento momentâneo sobre o corredor direito, com vantagem numérica e pragmatismo em zonas de finalização. A equipa de Rui Borges manteve os seus padrões ofensivos, com uma etapa de construção elaborada – sem muito risco comparativamente com outros jogos – e um trio atacante isolado do setor médio – Franco e Ismael muito próximos da linha defensiva. Se o Moreirense pressionado, não arriscou, o Sporting como é habitual expressou personalidade e eficácia, na etapa de construção quando o Moreirense pressionou alto – Morita pela sua inteligência e posicionamento, e Hjulmand pela simplicidade e coerência as suas ações.
3- Como abordar os 'grandes'
Um dos temas interessantes, e preocupação de todos os treinadores, é a abordagem contextual e estratégica com as equipas denominadas grandes. As diferentes perspetivas ideológicas no seio da equipa técnica irão definir os pressupostos fundamentais de intervenção, com especial foco na exploração dos pontos fracos do adversário e pontos forte da própria equipa. Contudo, o facor surpresa poderá ser determinante para, por exemplo, criar uma dinàmica interposicional que o adversário não esteja preparado para responder, ou explorar uma determinada sequência ofensiva na qual existem fortes possibilidades de sucesso numa zona específica do terreno, entre outras. Em síntese, irá sempre depender de quem executa, de quem identifica, perceciona e define que decisão a tomar, aqui o treinador deverá ser corajoso, os números são importantes mas é sempre possível fazer algo diferente e transmitir confiança aos jogadores para que consigam dar um passo em frente..
4-Final
O Sporting continua o seu percurso vencedor nesta competição, na qual, apresenta uma equipa recheada de valores individuais como também um coletivo forte e impermeável aos diferentes adversários. Rúben Amorim conseguiu sem dúvida transformar o Sporting, na sua estratégia como clube e adicionalmente na sua qualidade exibicional.