Gianni Infantino, presidente da FIFA, na final do Mundial 2026
Gianni Infantino, presidente da FIFA, na final do Mundial 2026 - Foto: IMAGO

UEFA, CONCACAF e AFC contra Infantino: «A liderança no futebol não é uma posse»

As três confederações acusam a FIFA de uma «quebra fundamental de confiança» e de «deceção» na forma como conduziu o processo para vender uma participação no Mundial

Continua a guerra que marca a atualidade do futebol mundial. UEFA, CONCACAF e AFC uniram vozes contra a FIFA e Gianni Infantino, numa dura reação à forma como foi conduzido o processo para vender uma participação no Mundial a entidades privadas. As três confederações, da Europa, da América do Norte, Central e Caraíbas e da Ásia, falam numa «quebra fundamental de confiança» e de «deceção», considerando que o episódio e coloca em causa a integridade da liderança do futebol.

Num comunicado conjunto, as três entidades apontam diretamente ao presidente da FIFA e classificam o processo como um «profundo fracasso de julgamento». «Isto é sobre algo mais fundamental: a integridade do jogo e a integridade daqueles que são eleitos para o liderar», pode ler-se na carta aberta divulgada esta segunda-feira.

«A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter — ou exigir — que o poder seja detido. É um dever de serviço para com a família do futebol que confia essa autoridade. Quando a confiança é quebrada através da deceção, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado», acusam.

As três confederações contestam ainda a forma como a FIFA tentou enquadrar o episódio depois de reconhecer que foram cometidos erros no processo. «A recente carta da FIFA aos seus vice-presidentes e às 211 associações-membro reconhece que foram cometidos erros no processo. Trata isto como uma falha de comunicação, quando aquilo que o futebol testemunhou foi uma falha de julgamento. Uma proposta avançada num calendário comprimido, sem uma consulta significativa, e conduzida para um prazo antes de as associações-membro poderem analisar devidamente os seus termos não é o produto de um descuido — é o produto de um desenho destinado a limitar o escrutínio», escrevem.

O ponto mais grave, na perspetiva das três confederações, está precisamente na intenção de vender uma participação no Mundial. «Continua a não existir qualquer reconhecimento de que tentar vender uma participação no Mundial da FIFA foi um profundo fracasso de julgamento — não apenas um erro processual, mas uma quebra fundamental de confiança com as próprias instituições que a FIFA existe para servir. A FIFA também se comprometeu a apresentar um relatório completo destes acontecimentos ao Conselho da FIFA, falhando novamente em reconhecer que uma boa governação perante uma falta de julgamento tão profunda exigiria que essa revisão fosse conduzida por uma entidade externa totalmente independente, e não pela própria FIFA, pelos seus funcionários ou por qualquer interveniente dentro do futebol», defendem.

«A administração da FIFA não deve desempenhar qualquer papel na condução da revisão. Conforme correspondência anterior, todos os documentos e registos relevantes devem ser preservados de acordo com a comunicação da UEFA sobre a preservação de documentos», pode ler-se.

A parte final da carta sobe ainda mais o tom e deixa uma acusação particularmente dura a Infantino e à forma como tem exercido a liderança da FIFA. «Não é a conduta de um guardião do jogo, mas de alguém que acredita que o jogo lhe deve responder. Há silêncio onde deveria existir responsabilização, distância onde deveria existir abertura. Estas não são as qualidades que o futebol merece na sua liderança. É por isso que assumimos esta posição: não de ânimo leve e não sozinhos, mas juntos, e por dever para com o jogo que servimos.»

«A força do futebol sempre esteve na sua unidade. Apelamos para que essa unidade seja honrada agora, por uma liderança que sirva o futebol, não que procure comandá-lo», concluem UEFA, CONCACAF e AFC.

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