Gianni Infantino, presidente da FIFA - Foto: Imago
Gianni Infantino, presidente da FIFA - Foto: Imago

Infantino desiste de plano polémico: «Tornou-se claro que criou divisões»

Infantino cancela proposta que permitia entrada de investimento privado, que gerou fortes críticas

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, anunciou o abandono do controverso projeto que previa a abertura da federação a investidores privados. A decisão surge após uma forte onda de críticas que levantou receios sobre a mercantilização do futebol e potenciais conflitos de interesse.

Em comunicado, o dirigente, cuja posição se encontra fragilizada após a recente demissão do seu conselheiro principal, Carlos Cordeiro, reconheceu a falta de consenso. «Depois de ter ouvido atentamente todos os pontos de vista, tornou-se claro que o projeto criou divisões (...), que já não servem o objetivo inicial», afirmou.

«O nosso objetivo sempre foi, e sempre será, unir e progredir. A proposta não será, portanto, aceite», concluiu o líder da Federação Internacional de Futebol.

Entre as preocupações levantadas pelos críticos estava a identificação de potenciais investidores, como o fundo Thrive Eternal, criado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump. Esta ligação foi associada à proximidade demonstrada por Infantino com o ex-presidente norte-americano no contexto do Mundial 2026.

A proposta visava criar uma nova entidade, a FIFA Forward Enterprise (FFE), para gerir as atividades comerciais e de eventos do organismo. Através da venda de participações minoritárias (até 20%) desta empresa, a FIFA esperava angariar até 4,2 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros), elevando o financiamento para o desenvolvimento do futebol para dez mil milhões de dólares (8,67 mil milhões de euros) nos próximos quatro anos.

No entanto, a ideia foi recebida com forte oposição, liderada pela UEFA, que ameaçou não participar nas competições da FIFA, incluindo o Mundial, caso o plano avançasse. A esta voz juntaram-se a CONCACAF (América do Norte, Central e Caraíbas) e a AFC (Ásia), que também rejeitaram a proposta.

Por sua vez, as confederações de África e da Oceânia mostraram-se mais recetivas, apelando a uma análise do projeto, enquanto a CONMEBOL sul-americana pediu esclarecimentos, sublinhando a necessidade de colocar «sempre o futebol acima de qualquer outro interesse».

Caso o projeto fosse aprovado, cada uma das 211 federações-membro da FIFA poderia receber um pagamento excecional de 20 milhões de dólares (17,5 M de euros) em 2027, além de ver a sua dotação para o ciclo 2027-2030 aumentar de 8 para 20 milhões de dólares (de 6,93 para 17,3 milhões de euros).

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