Cerca de 200 adepto saem do centro de estágio

Tudo sobre o que se passou no Seixal: da suspeita do Benfica à mensagem de Mourinho

Benfica desconfiava de que grupo poderia estar a organizar ação no centro de estágio. Rui Costa não estava no Seixal mas autorizou entrada. Mourinho prometeu dar a vida pelo clube

Um grupo de 200 adeptos esteve esta manhã no centro de estágio e formação do Benfica, no Seixal, no qual entrou com autorização, para manifestar insatisfação pelas exibições e maus resultados da equipa e pela atual situação no clube, também para pedir responsabilidades e exigir explicações. A ação não apanhou totalmente de surpresa os responsáveis encarnados, que suspeitavam de que tal poderia acontecer, depois de uma ação semelhante ter sido evitada.

A tranquilidade matinal do Seixal foi abalada com a chegada de 200 adeptos às portas do centro de estágio. Exigiram falar com alguém da Direção e foi permitida, numa primeira fase, a entrada de quatro. Foi permitido, depois, que todos entrassem. E foram recebidos pelo diretor-geral, Mário Branco, o diretor técnico, Simão Sabrosa, o treinador, José Mourinho, e os capitães, Nicolás Otamendi, António Silva, Fredrik Aursnes e Tomás Araújo, revelou o Benfica.

O Benfica estava alerta, desde ontem, para que a ação pudesse acontecer. Já tinha, aliás, evitado uma semelhante, após a derrota com o SC Braga, nas meias-finais da Taça da Liga, em Leiria. Depois da eliminação dessa prova, recorde-se, o Benfica foi jogar ao Dragão com o FC Porto, mas conseguiu evitar, antes, essa mobilização de adeptos descontentes.

Desta feita o mesmo movimento estava decidido a intervir. A derrota com a Juventus, quarta-feira, em Turim, só agravou o sentimento de insatisfação. E o Benfica tomou conhecimento de que poderia estar a ser preparada esta ação. Havia polícia à porta do centro de estágio, o que nem sempre acontece. Foi necessário, no entanto, reforço policial desde a chegada dos adeptos.

Rui Costa, que não estava no centro de estágio, foi informado do que se estava a passar e autorizou a entrada do grupo de adeptos. Que chegou mesmo à conversa com treinador e jogadores — os capitães também já tinham sido alertados de que poderia haver esta iniciativa.

Houve, pois, a manifestação de insatisfação dos adeptos. E Mourinho teve oportunidade de dirigir-se ao grupo. O treinador pediu paciência, assinalou que a equipa está diminuída por ter muitos jogadores lesionados, pediu para terem em consideração o azar com algumas arbitragens, prometeu que a equipa iria dar a volta à situação e prometeu que vai dar a vida pelo Benfica.

No final da conversa, o grupo cantou o hino e saiu, depois, ordeiramente do centro de estágio. Não sem que se ouvisse o grito: «Acabou o cerco.»

Notícia atualizada às 17.35 horas