Marco Silva admitiu exibição aquém das expectativas, que se refletiu na reação do plantel

Felicidade contida, erros não forçados e Rui Borges: tudo o que disse Marco Silva

Conferência de imprensa do treinador do Benfica após vitória com o Alverca na 10.ª jornada da Liga

— Lançou Echeverri ao intervalo, Rafa entrou a meio da segunda parte, e depois só mexeu na compensação. Foi o jogo em que mexeu mais tarde na equipa do Benfica, sentiu que a equipa estava a corresponder ao que queria?

— Sim, mas nem sempre se tem de fazer as alterações todas. A alteração ao intervalo era necessária. Não foi a exibição que costumamos ter, mas faz parte. Houve momentos de muito coração e pouco equilíbrio, forçámos num corredor que estava fechado, contra uma equipa que defendia muito dentro da sua área. Faltou-nos, quando ligámos no Pavlidis, movimentos de rutura, mesmo com pouco espaços nas costas, mas não o fizemos, por isso foi um jogo mais desinspirado da nossa equipa, e depois tentámos fazer tudo muito rápido. Ao intervalo queríamos um jogador mais criativo no meio-espaço, tirámos o Presianni da zona central, que estava muito congestionada, queríamos dar-lhe largura e aproveitar os espaços que o Prestianni ia dar para outros jogadores e foi nesse tipo de lance que ganhámos o penálti. Não tivemos muitas oportunidades para fazer o 2-0. O Alverca não teve mais oportunidades de golo além do golo anulado. É importante ganhar neste tipo de jogos difícies e torna-se muito importante não sofrermos. Hoje o número de passes errados foi muito grande da nossa equipa. Deixo uma palavras aos adeptos, que puxaram pela equipa, mesmo quando sentiram que a equipa não estava no seu melhor. Echeverri deu a qualidade que queríamos naquele espaço, o que era muito importante.

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— Esta é uma vitória que deixa uma luta a dois entre Benfica e FC Porto? E como viu a saída de Rui Borges do Sporting?

— Não vou comentar. Mando um abraço muito grande ao Rui, ele sabe o que tem de fazer pela sua carreira, é uma pessoa inteligente. Nada mais. 

— O Benfica teve períodos bons, mas não fez 90 minutos à sua imagem, sente que a equipa está demasiado dependente de inspirações individuais?

— Temos sido muito fortes a desmontar adversários, o Alverca esteve muitas vezes com 10 jogadores perto da sua área, mas nós temos de tomar melhores decisões, jogar mais rápido e ter equilíbrio para não perdermos bolas. Muitas vezes até jogámos demais para a frente e perdemos bolas, mas não há a melhor dúvida de que o futebol continua a ser muito dos jogadores e da sua inspiração, independentemente da ideia coletiva da equipa. É importante que estejam num bom dia, e quando não estão, é importante termos a capacidade, vindo do banco ou com alterações táticas, de encontrarmos outros caminhos para vencermos.

— Em que momentos sentiu que o Benfica esteve intranquilo?

— Eu acho que há coisas que são naturais, independentemente de nós não querermos. Há algo que é muito importante para nós: temos que ter um equilíbrio emocional muito grande na forma como queremos jogar e como enfrentamos os nossos adversários, e como os nossos adversários nos colocam alguns problemas para resolver. E, além da qualidade, da intensidade, tudo o que se fala que está por trás de uma equipa de futebol, o equilíbrio emocional também é muito importante. Os jogadores também sentem. É normal que, mesmo depois do 1-0 e quando estamos em vantagem, normalmente somos uma equipa muito acutilante e queremos e vamos à procura do segundo golo. Hoje também tentámos fazê-lo, mas os jogadores também sentiram que muitos deles não estavam... o jogo não estava a ser tão fluido da nossa parte como costuma ser normalmente, e nós cometemos erros não forçados num número muito elevado, e que traz alguma intranquilidade, que depois traz alguma desconfiança. Foi isso que acabou por acontecer: muito mais as nossas ações que nos criaram isso mesmo na equipa, e que nós temos que continuar a trabalhar, corrigir e fazer os jogadores entenderem isso mesmo.

— Foi o jogo menos conseguido na Liga esta época?

— É difícil avaliar. No Estádio da Luz, de certeza. Não tenho a menor dúvida em dizer que no Estádio da Luz, de certeza. Eu senti isso mesmo dos jogadores: nós ganhámos um jogo e em alguns momentos parecia que não estávamos felizes por ganharmos o jogo, porque eles sabem que fizeram muito boas exibições a fazer e a oferecer. Mas não vai ser sempre assim, eu tenho vindo a avisar que não vai ser sempre desta forma, independentemente de eu querer muito e os jogadores quererem muito também. Mas sim, não há que esconder e dizer que, pelo menos em casa, foi.

— Lukebakio fez muitas corridas para trás, como viu a sua mudança de atitude em relação ao ano passado?

— Não sei porque não estava cá no ano passado. Desde que cheguei ao Benfica, os jogadores de ala tem características diferentes, mas todos sabem a identidade que queremos para a equipa. Lukebakio, Rafa ou Schjederup não terão a agressividade do Bah ou do Palhinha, queremos que compreendam a nossa identidade com e sem bola. 

— Sobre Schjelderup e Prestianni, foram ambos titulares novamente, que conclusões tirou?

—  Já tivemos excelentes momentos com eles, com o Vitória de Guimarães, com o Gil Vicente (no jogo do campeonato), Moreirense, Marítimo. O Prestianni tem tido grandes momentos por fora e por dentro. Hoje na primeira parte não encontrámos o espaço por dentro, não só pela falta da ligação entre os dois, mesmo assim o Prestianni conseguiu visar a área adversária, mas o Alverca também defendeu na sua área quase o tempo todo. Compete-nos olhar para onde não estivemos tão bem, analisar e preparar o próximo jogo.

— Há uma possível compatibilização entre Prestianni e Echeverri no onze? Como ambos ainda não foram titulares ao mesmo tempo, não apostará em ambos por terem 1,70 metros de altura?

— De certeza que não será pela altura, só se o Echeverri fosse central, jogando naquela posição não haverá problemas. O Claudio chegou mais tarde à equipa, tem crescido, hoje deu o que a equipa precisava, queremos que ele cresça fisicamente (não em altura) para fazer o que queremos sem bola, e hoje esteve bem nos 45 minutos. Pensa como terceiro médio e faz aproximações muito fortes ao nosso avançado. Precisávamos de coisas diferentes ao intervalo e ele conseguiu ter um bom impacto no jogo e ser decisivo.

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