Tudo feito com cabeça e contornos de... Blesa (crónica)
Um Rio Ave adulto, pragmático e capaz de viver com pouca bola foi este sábado ao Estoril amealhar a primeira vitória na Liga. Na Amoreira, o destaque foi, naturalmente, para o ressurgimento de Jalen Blesa, que, depois dos excelentes sinais deixados na segunda metade de 2025/26, voltou a mostrar que é um dos bons valores do campeonato, assumindo papel decisivo. Mas houve mais notas positivas na equipa orientada por Sotiris Silaidopoulos, que não tremeu na hora de entregar a iniciativa a um adversário que, apesar do volume que cria no ataque, aparenta ainda estar um pouco à deriva.
O facto de estarem frente a frente duas equipas que ainda não tinham vencido notou-se na fase inicial da partida. Tsoungui pôs Van der Gouw à prova logo ao minuto 7, após excelente trabalho de Guitane. O extremo argelino sobressaiu num primeiro quarto de hora de parada e resposta, mas o golo surgiu no extremo oposto, aos 15'. Bezerra, que minutos antes já tinha ameaçado de livre, teve espaço (Guitane não apertou...) para cruzar e encontrar o cabeceamento subtil de Blesa, que saltou entre três jogadores estorilistas.
Desfeito o nulo, o Rio Ave deu a bola aos anfitriões, mas a defesa dos vilacondenses, bem organizada, resistiu. Diogo Nascimento (que belo reforço), funcionou como extensão de Silaidopoulos em campo e soube pôr gelo nos momentos certos. Apesar do domínio ao nível da posse por parte dos canarinhos, só Lacximicant (40’) ameaçar a baliza adversária até ao intervalo.
A toada não mudou muito no arranque do segundo tempo, até no que toca à eficácia. Blesa voltou a festejar — passe delicioso de Nascimento —, mas estava em posição irregular e o lance foi anulado. Seguiu-se uma dupla ocasião para os da casa (60' e 61'), com um bom remate de Begraoui e ainda melhor defesa de Van der Gouw. Na ressaca, João Carvalho atirou por cima.
Aos 69', Vasco Matos trocou três peças na tentativa de dar um abanão no jogo, mas quem marcou foi o Rio Ave. Na ressaca de um livre lateral, Blesa vestiu-se de carteiro e cruzou com régua e esquadro para cabeçada certeira de Tamble Monteiro (72'). André Lacximicant e Tiago Parente ficaram a ver...
Movido a coração, o Estoril foi atrás do prejuízo e Peixinho voltou a testar o intransponível Van der Gouw. Quando o neerlandês nada podia fazer, estava lá a barra (89').
O resultado recompensou a eficácia de um Rio Ave que teve cabeça para marcar e controlar. Quanto ao Estoril, continua sem vencer na Liga. Vem aí o Benfica, no Estádio da Luz...
As notas do Estoril
A manobra ofensiva do Estoril passou quase toda pelos pés do internacional argelino. Pela direita, foi o principal agitador canarinho, ganhando vários cantos e obrigando Nelson Abbey a trabalho redobrado. Descobriu com relativa facilidade os colegas em zonas interiores, mas pecou no primeiro golo do Rio Ave, ao conceder demasiado espaço a Bezerra no flanco. Foi substituído aos 76'.
Joel Robles (5); Ricard Sánchez (5), Ismael Sierra (4), Ferro (4) e Medrano (5); Tsoungui (5) e Tiago Brito (4); Rafik Guitane (6), João Carvalho (5) e André Lacximicant (5); Begraoui (6)
Suplentes utilizados: Pedro Carvalho (5), Tiago Parente (4), Fabrício (5), Jordan Arnolin (5) e Peixinho (5)
As notas do Rio Ave
Ao terceiro jogo da época, o hispano-americano recuperou a versão que, na segunda metade de 2025/26, deixou os adeptos do Rio Ave com água na boca. Exímio a atuar entre linhas, o avançado abriu a conta goleadora com um voo fulminante na primeira parte. Na segunda, serviu o 2-0 a Tamble Monteiro com um passe açucarado. Ainda viu o bis ser-lhe anulado por 10 centímetros.
Van der Gouw (7); Liavas (5), Pancho Petrasso (6), Brabec (6) e Nelson Abbey (5); Nikitscher (6) e Diogo Nascimento (7); Diogo Bezerra (7), Jalen Blesa (8) e Galcík (4); Tamble Monteiro (6)
Suplentes utilizados: Ntoi (5), Vrousai (5), Gustavo Mancha (5) e Spikic (5)