Gianni Infantino, presidente da FIFA
Gianni Infantino, presidente da FIFA

Mundial 2026: Infantino deve escapar a sanções do COI após polémica de Balogun

Relação de poder entre o organismo e a FIFA alterou-se, com o primeiro a depender cada vez mais do segundo, escreve o 'The Guardian'

Gianni Infantino deverá evitar quaisquer sanções do Comité Olímpico Internacional (COI) apesar de uma queixa formal sobre uma alegada violação das regras de neutralidade política ter sido apresentada, na sequência de uma conversa com Donald Trump sobre o caso de Folarin Balogun.

A polémica surgiu depois de Trump ter revelado que contactou o presidente da FIFA para pedir uma revisão do castigo de Balogun, que o impedia de jogar pelos Estados Unidos nos oitavos de final do Mundial contra a Bélgica. O castigo foi subsequentemente suspenso por 12 meses, numa decisão sem precedentes do comité disciplinar da FIFA.

Na sequência destes eventos, a organização de direitos humanos FairSquare apresentou uma queixa formal ao COI, argumentando que a conduta de Infantino violou a carta olímpica. Sendo membro do COI desde 2020, Infantino está obrigado a agir com independência de interesses políticos e comerciais, não podendo aceitar «mandatos ou instruções de governos, organizações ou outras partes que possam interferir com a liberdade da sua ação e voto».

Apesar da queixa, escreve este sábado o The Guardian que é improvável que haja uma investigação formal. Existe uma forte relutância em intervir na aplicação das regras de uma federação internacional, especialmente quando os processos de recurso internos não foram esgotados. Além disso, a relação de poder entre o COI e a FIFA alterou-se, com o primeiro a depender cada vez mais do organismo que rege o futebol para obter receitas comerciais e relevância junto do público mais jovem.

A proximidade dos Jogos Olímpicos de 2028 em Los Angeles, e o desejo de capitalizar o crescimento do futebol nos EUA, tornam ainda menos provável qualquer ação contra o presidente da FIFA. De forma significativa, nem a UEFA nem a Federação Belga de Futebol, que inicialmente condenaram a decisão, apresentaram queixas formais ao COI.

A federação belga, que tinha afirmado manter todas as opções legais em aberto, incluindo um recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto, tem estado em silêncio desde a eliminação nos quartos de final frente a Espanha. Fontes indicam que está pronta para abandonar o caso. A presidente da federação, Pascale Van Damme, é também membro do Conselho da FIFA.

Por sua vez, a UEFA, apesar de ter emitido um comunicado duro acusando a FIFA de minar a credibilidade do futebol, também decidiu não levar o assunto mais longe. Infantino parece sair do escândalo com a sua base de poder intacta, tendo recebido cartas de apoio de mais de 200 das 211 federações-membro do organismo antes das próximas eleições presidenciais.

Infantino admitiu ter falado com Trump, mas um comunicado da FIFA em seu nome esclareceu que as conversas são regulares e abrangem vários temas, tal como acontece com outros chefes de Estado. O suíço sublinhou que a decisão de suspender o castigo de Balogun foi tomada de forma independente pelo comité disciplinar.

A FIFA ainda não publicou os fundamentos escritos da decisão, mas afirmou que esta «foi tomada considerando todas as circunstâncias específicas em torno do incidente e as provas disponíveis», acrescentando que «rever as consequências legais dos cartões vermelhos no futebol não é novidade».

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